O Parlamento europeu declarou ontem em Bruxelas (Bélgica) sua ''oposição a toda ação militar unilateral'' no Iraque, em uma resolução aprovada por 287 votos a favor e 209 contra. A declaração aprovada diz que um ''ataque preventivo contradiz o direito internacional e a Carta das Nações Unidas''. Um ataque contra o Iraque daria lugar a uma crise mais profunda, que implicaria outros países da região, diz a declaração. ''É preciso fazer todo o possível para evitar as ações militares''.
A Assembléia parlamentar do Conselho da Europa também considerou ontem que ''o recurso à força contra o Iraque não se justifica nas circunstâncias atuais''. Anteontem, vários parlamentares europeus reprovaram os Estados Unidos por ainda não terem apresentado ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e aos inspetores de desarmamento as provas que dizem possuir da existência de armas de destruição em massa no Iraque.
''Não se compreende por que o presidente norte-americano, George W. Bush, oferece provas dois meses depois de iniciadas as inspeções da ONU no Iraque. Por que não o fez antes?'', questionou o porta-voz do grupo socialista do Parlamento Europeu, Enrique Barón, durante um debate sobre a crise no golfo Pérsico.
O eurodeputado alemão Elmar Brok pediu que os inspetores da ONU tenham as mesmas informações que aqueles que alegam existirem armas, referindo-se aos Estados Unidos. ''Como vão desarmá-los se nem os inspetores têm todas as informações para alcançar seu objetivo?'', perguntou Brok, presidente da comissão parlamentar de Relações Exteriores.
O alto representante para a Política Externa e de Segurança da União Européia (UE), Javier Solana, pediu ''que se discutam as informações que existem neste momento, e que elas cheguem aos inspetores''. ''Exigimos do governo americano que, se ele tiver informações sobre o armamento do Iraque, remeta-as ao Conselho de Segurança'', afirmou o porta-voz do grupo popular (conservador), Hans-Gert Poettering.
Os Estados Unidos e o Reino Unido acusam o Iraque de ter um arsenal de armas químicas e biológicas que vai contra as determinações da ONU, e de estar construindo instalações para fabricar mais armamentos. Saddam é acusado pelos dois países de ter fortes relações com grupos terroristas que são capazes de utilizar ''armas de destruição em massa''. Bagdá nega as acusações.
O desarmamento dos arsenais de destruição em massa e mísseis iraquianos foi determinado pela ONU após a Guerra do Golfo (1991) como uma punição ao Iraque, que invadiu o Kuait em 1990.
Entre 1991 e 1998, a Comissão Especial da ONU para o Desarmamento do Iraque visitou dezenas de locais e destruiu grande quantidade de armas. O Iraque aceitou de forma incondicional a nova resolução da ONU, chamada de resolução 1441, aprovada por unanimidade pelo Conselho de Segurança no dia 8 de novembro.
A resolução determinou a entrada de inspetores de armas no país, com acesso ilimitado a todo e qualquer local suspeito de produzir armas químicas, biológicas ou nucleares -inclusive os palácios do governo iraquiano. Caso contrário, o Iraque enfrentará ''sérias consequências''.
Até o momento, os inspetores de armas não encontraram nenhum tipo de prova contra o Iraque, embora tenham afirmado na segunda-feira, por meio do chefe do grupo, Hans Blix, que o país não estava cooperando tanto quanto deveria.
Anteontem, Bush prometeu apresentar ao Conselho de Segurança provas reais de que o Iraque possui armas de destruição em massa. Tanto os EUA como o Reino Unido já anunciaram anteriormente possuir tais provas, mas nunca nenhum tipo de documento foi apresentado publicamente.

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