Parlamento europeu discute a rede de espionagem 'Echelon'
Simon Boehm
France Presse
De Bruxelas
A existência e as atividades da Echelon, uma rede anglo-americana de espionagem de telecomunicações em nível mundial, tornou-se o centro dos debates da Comissão de Liberdades e Direitos do Cidadão no Parlamento europeu.
O jornalista britânico Duncan Campbell apresentou aos parlamentares um resumo do informe sobre a Echelon preparado por ele.
Novas provas apareceram desde as informações precedentes sobre a rede, que datam de 1998, afirmou Campbell. Não há mais motivo para dúvidas, prosseguiu, insistindo na dimensão econômica e comercial deste tipo de espionagem.
Uma parte dos objetivos da instalação desta rede é comercial, disse ele, insistindo sobre este aspecto.
Segundo o relatório dele, a rede Echelon permite interceptar em todo o mundo comunicações transmitidas via satélite, sejam elas feitas através de telefonemas, fax ou E-mail. O documento menciona várias firmas, como a Thomson CSF ou a Airbus Industries, que teriam sido vítimas de espionagem econômica.
A Agência americana para a Segurança Nacional (NSA) arquivou há pouco documentos secretos que confirmavam, pela primeira vez oficialmente, a existência do programa Echelon.
Cientistas da Universidade George Washington da capital federal americana conseguiram vários destes documentos em viturde da lei sobre a liberdade de informação, a Freedom Information Act.
Os documentos foram publicados depois na página internet da Universidade: www.gwu.edu/~nsarchiv/.
A NSA nunca quis confirmar a existência desta rede.
A Echelon existe desde os anos 70 e foi ampliada de 1975 a 1995, indica o informe, que menciona um certo número de sites da rede.
O estudo de Campbell destaca que o sistema foi desenvolvido como parte de um acordo secreto de cooperação em matéria de espionagem do setor de comunicações firmado em 1947 entre Estados Unidos e Grã-Bretanha, e ao qual se uniram depois Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
As imensas quantidades de dados recolhidos pelo sistema são depois filtrados por potentes computadores, tanto na origem quanto por um sistema de palavras-chave, explicou Duncan Campbell aos parlamentares.
O sistema é tão potente que bilhões de mensagens podem ser interceptados em meia hora e depois filtradas para extrair as que poderiam ser consideradas interessantes. Do lado americano, os dados são tratados em nível governamental pela NSA.
Campbell concluiu que era importante para a União Européia manter posição firme sobre a proteção das comunicações, em todos os níveis, sem ceder jamais ante as necessidades em matéria de inteligência de terceiros Estados. Assim, recomendou técnicas de codificação avançadas, de proteção contra as interceptações, mas contra as quais os americanos exercem fortes pressões em fóruns como ILETS.
Os parlamentares europeus da Comissão de Liberdades e Direitos do Cidadão se mostraram muito preocupados com o documento.
O presidente da Comissão, o liberal britânico Graham Watson, considerou vergonhoso que os governos não se mostrem mais abertos sobre o que fizeram neste campo e evocou a possibilidade de criar um órgão de supervigilância europeu.





