São Paulo - O premiê Ariel Sharon enfrenta hoje um dos mais duros desafios de sua carreira política ao submeter para votação no Knesset (Parlamento) o seu plano de retirada dos 21 assentamentos judaicos da faixa de Gaza e de outros quatro isolados no norte da Cisjordânia. Pela primeira vez em sua história, o Parlamento israelense decidirá sobre a desocupação de um território palestino que tenha sido reivindicado por Israel como parte do país, desde a criação do Estado em 1948.
''Este é um momento fatídico para Israel. Sei o significado da decisão do Knesset para milhares de israelenses que vivem há muitos anos na faixa de Gaza, que foram enviados para lá em nome do governo israelense, que construíram suas casas, que plantaram suas árvores e flores, que levaram suas crianças que nunca conheceram outros casas. Sei bem disso, pois eu enviei muitos'', disse Sharon ao abrir ontem as discussões que antecedem a votação.
''Mas é um passo necessário em um período no qual as negociações não são possíveis'', acrescentou.
Do lado de fora, milhares de israelenses fizeram uma manifestação a favor do plano de Sharon. Os opositores à retirada devem reunir dezenas de milhares ontem diante do Knesset para protestar contra o plano, e a segurança no país foi reforçada. Segundo o premiê afirma publicamente, o objetivo do plano é reduzir o atrito com os palestinos nessa região, onde a violência cresceu exponencialmente ao longo da Intifada e se acentuou ainda mais nos últimos meses.
Os colonos judeus e os grupos religiosos mais extremistas de Israel estão contra Sharon e querem a convocação de um referendo. Eles acusam o premiê de trair os seus ideais e de estar premiando o terrorismo palestino ao ordenar a saída da faixa de Gaza. Apesar de ter apoio de cerca de dois terços da população israelense para aplicar o plano, Sharon afirma que o referendo é uma tática para adiar a implementação.
Na semana passada, rabinos pediram que soldados israelenses não respeitassem as ordens do governo e se recusassem a ajudar na remoção dos assentamentos, elevando a tensão e o temor de uma guerra civil.
A retirada, se aprovada, deve começar em maio ou junho e durar até setembro de 2005. Antes disso, suas diversas etapas precisam ser aprovadas em diferentes votações no gabinete de Sharon. Há ainda o risco de o premiê ver o seu governo se desfazer até a votação do Orçamento do ano que vem. Partidos de extrema-direita ameaçam deixar o governo, e os trabalhistas estão proibidos pelo Likud (partido de Sharon) de integrar a coalizão.

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