Parlamento da Flórida cria lei inédita para manter mulher viva
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de outubro de 2003
France Presse 
Miami á Em uma intervenção incomum, o Parlamento do estado da Flórida se mobilizou para adotar uma lei que permita manter viva Terri Schiavo, uma mulher que há 13 anos está em coma e que pode morrer nos próximos dias ou mesmo horas, após a retirada, na semana passada, de uma sonda alimentar, por ordem judicial.
Na noite de segunda-feira, a Câmara dos Representantes do estado votou uma lei já conhecida como ''Lei Terri'' que autoriza o governador Jeb Bush a suspender sob certas condições uma decisão judicial deste tipo e ordenar que a sonda alimentar seja reimplantada.
A polêmica disposição, considerada inconstitucional por legisladores democratas por atentar contra a divisão de poderes, seria votada ontem pelo Senado. As duas câmaras têm maioria republicana.
Por ordem judicial e a pedido do marido, Michael Schiavo, Terri Schiavo, de 39 anos, teve a sonda desligada na quarta-feira passada. Após a retirada da sonda, os médicos lhe deram mais 10 dias de vida.
Mas o caso Schiavo chegou até o Parlamento da Flórida e se tornou um dos mais polêmicos nos Estados Unidos graças aos pais de Terri, Bob e Mary Schindler, que moveram céus e terra para mantê-la viva.
Adversários do genro em uma longa disputa judicial, os Schindler acham que Terri pode se recuperar, defendem seu direito à vida e se opuseram a que a sonda alimentar seja retirada. O próprio governador Bush apoiou publicamente sua causa.
A ''Lei Terri'' permitiria ao governador intervir para que se mantenha a alimentação assistida a um doente em estado vegetativo, que não tenha expressado anteriormente por escrito seu desejo em contrário e, se algum de seus familiares se opuser a uma decisão judicial de retirar-lhe a sonda. Este é o caso de Terri Schiavo.
A lei da Flórida permite aos adultos assinarem uma declaração, rejeitando procedimentos médicos ou alimentação assistida, que estendam artificialmente sua vida se chegarem à condição terminal ou diante de morte inevitável.
Terri Schiavo, que tinha apenas 26 anos em 1990, quando caiu fulminada por um ataque cardíaco que a deixou vários minutos sem circulação sanguínea e causou sérios danos cerebrais, não tinha assinado esta declaração.


