Parlamento contra pacote do governo
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terça-feira, 16 de março de 1999
Fabio Castro France Presse 
O parlamento equatoriano, reunido ontem, mostrou-se inclinado a derrubar nos próximos dias o estado de emergência decretado pelo presidente Jamil Mahuad, ao mesmo tempo em que surgiam vozes para que o presidente retificasse um pacote de medidas de choque anunciado quinta-feira passada para tirar o país de uma grave crise econômica e social. Setores de oposição, liderados pelo Partido Roldosista Equatoriano (PRE, populista, ao qual pertence o ex-presidente Abdalá Bucaram) exigiram a revogação imediata do estado de emergência; mas outros setores, em especial do Democracia Popular (DP, democrata-cristão), no governo, observaram que o pedido não procedia e que devia ser respeitado o calendário previsto.
Este contempla um debate sobre um projeto de reforma da legislação do sistema financeiro, sobre a racionalização e o organização das finanças públicas e um projeto regional.
A sessão legislativa que começou no início da tarde, depois de um recesso de 11 dias, não avançou. O deputado Henry Llanez, da Esquerda Democrática (ID, social-democrata), pediu uma reunião do presidente do Congresso com os líderes dos diferentes partidos políticos.
Durante quase três horas, o plenário ouviu críticas ao pacotão de choque de Mahuad, avaliou a greve de 100.000 taxistas em Quito, Guayaquil, Cuenca e outras cidades, que continuou ontem, e a paralisação de indígenas nas estradas da zona andina - províncias de Cotopaxi, Chimborazo e Tungurahua.
As medidas adotadas por Mahuad incluem 10 projetos urgentes de lei destinados a privatizar áreas estratégicas de telecomunicações, eletricidade e petróleo e a conseguir um incremento de 10 a 15% do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) com algumas isenções do tributo para alimentos e remédios.
O reajuste de até 174% nos preços dos combustíveis é o calcanhar de Aquiles do governo.
Greve A greve de taxistas manteve, ontem, pelo segundo dia consecutivo, o bloqueio das ruas das principais cidades do Equador, para protestar contra a política econômica do presidente Jamil Mahuad, apesar da polícia e do exército estarem limpando as ruas para restabelecer o transporte urbano e intermunicipal.
O ministro do Governo (Interior), Vladimiro Alvarez, em declarações à AFP informou que as operações para a retirada dos táxis das ruas eram feitas de forma pacífica e assinalou que as autoridades têm instruções para trabalhar com muito cuidado e evitar possíveis confrontos que alterem a ordem pública.
Índios Os indígenas equatorianos da zona andina e da amazônia anunciaram ontem que desobedecerão todas as disposições do governo do presidente Jamil Mahuad e disseram que continuarão com o bloqueio das estradas para exigir do governo a revogação de um pacote de medidas econômicas.
A população indígena equatoriana representa 35% do total de 12 milhões de habitantes do país.
Democracia Estados Unidos advertiram ontem que acompanham de perto a situação no Equador após as medidas de austeridade anunciadas pelo presidente Jamil Mahuad e condenaram de antemão qualquer tentativa para resolver a crise no país fora do contexto democrático e constitucional.


