Parlamento aprova retirada de assentamentos
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terça-feira, 26 de outubro de 2004
Das agências 
São Paulo - Após dois dias de intensos debates, o Parlamento de Israel (Knesset) aprovou por 67 votos a 49 o plano de retirada parcial dos assentamentos israelenses na faixa de Gaza e na Cisjordânia, criado pelo premiê Ariel Sharon. A informação foi dada pela rede de TV americana CNN.
A vitória já era prevista e representa a primeira retirada de assentamentos judaicos desde a criação do Estado de Israel, em 1948. O Exército do país mantém sua ofensiva na região. Ações do Exército israelense mataram ontem mais um palestino, elevando a 17 o total de palestinos mortos nos últimos dois dias no local.
A proposta dividiu Israel e transformou o primeiro-ministro israelense inimigo número um dos judeus em Gaza. Sharon enfrenta resistência de membros de seu próprio partido, o Likud (partido político de Sharon, de orientação de extrema direita).
Sharon abriu a sessão de debates de dois dias sobre o plano de retirada ontem, defendendo que o plano é o único caminho para assegurar o futuro de Israel. ''Esse é um momento decisivo para Israel. Temos uma decisão difícil à nossa frente'', disse Sharon ontem.
Analistas políticos no Oriente Médio disseram que o discurso de Sharon foi ''notável'', tanto por seus gestos para com os palestinos, como para sua crítica sem precedentes aos assentamentos judaicos, que ele classificou como sendo um ''complexo messiânico''.''Mesmo que amanhã Sharon desista de suas posições, esse terremoto já aconteceu. Nada mais será igual'', disse o colunista Ben Caspit, no jornal ''Maariv''.
O primeiro-ministro de Israel chegou ao Parlamento ontem cercado excepcionalmente por 16 seguranças. Do lado de fora do Parlamento, a polícia isolava o prédio, restringindo a entrada das pessoas, já que centenas de colonos que vivem nos assentamentos em Gaza organizaram um protesto.
A proteção do premiê foi aumentada nas últimas semanas, com a aproximação da votação, para garantir que não houvesse nenhum ataque de extremistas da direita contra ele centenas de israelenses de direita acusaram Sharon de traição ontem por conta do plano de retirada da faixa de Gaza. Nacionalistas contra a retirada, em sua maioria mulheres e crianças, organizaram uma manifestação em frente ao Knesset, mas o ato foi controlado pela polícia. Os manifestantes seguravam placas onde podiam ser lidas as seguintes frases: ''Sharon é um traidor'' e ''Soldados, desobedeçam as ordens de retirada''.
Sharon, que já foi o maior defensor dos assentamentos, construídos em terras obtidas em 1967, depois da Guerra dos Seis Dias, entre israelenses e árabes, disse durante o discurso de ontem que a retirada dos assentamentos vai solidificar a segurança de Israel.
Um funcionário do governo israelense contou que Sharon destituiu o ministro sem pasta Uzi Landau e o vice-ministro da Segurança Interna, Michael Razton, por terem votado contra seu plano de retirada da Faixa de Gaza, contou


