São Paulo - A câmara baixa do Parlamento espanhol aprovou nesta quinta-feira (13) um decreto do governo para exumar os restos mortais do ditador Francisco Franco do mausoléu onde ele está enterrado, perto de Madri. O decreto foi aprovado por 172 votos a favor, 164 abstenções e dois votos contra. O objetivo do governo socialista é remover os restos do Vale dos Caídos até o final do ano. Esta é uma decisão que provoca divergências políticas no país, que tem dificuldades para lidar com questões do passado.

Restos mortais de Francisco Franco estão no mausoléu Vale dos Caídos, perto de Madri
Restos mortais de Francisco Franco estão no mausoléu Vale dos Caídos, perto de Madri | Foto: Oscar del Pozo/AFP



Para concretizar a medida, que é criticada pela família do ditador e pela oposição conservadora, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez optou por apresentar um decreto-lei. Após a exumação, a solução lógica será enviar os restos mortais para o túmulo que a família Franco tem no cemitério El Pardo, na região de Madri.

Desde 23 de novembro de 1975, três dias depois de sua morte, o corpo do general Franco está no Vale dos Caídos. O local, um impressionante complexo a 50 km de Madri, tem uma basílica com uma cruz de 150 metros de altura. O militar, que governou o país de 1939 a 1975 está enterrado no altar da basílica sob uma laje sempre coberta por flores frescas, assim como o fundador do partido fascista Falange, José Antonio Primo de Rivera.

No mesmo complexo foram sepultados quase 27 mil combatentes franquistas e 10 mil opositores republicanos, motivo pelo qual o ditador apresentou o vale como um local de "reconciliação".

Os críticos, no entanto, o consideram um insulto às vítimas da repressão franquista, porque os corpos dos republicanos, retirados de cemitérios e valas comuns, foram levados até o local sem o consentimento de suas famílias. Além disso, o conjunto monumental foi construído por quase 20 mil presos políticos, entre 1940 e 1959.

Pedro Sánchez defendeu a iniciativa poucos dias depois de chegar ao poder, alegando que um lugar como Vale dos Caídos seria inimaginável em países como Alemanha ou Itália.

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