O parlamento indonésio, cuja ‘‘suspensão’’ foi anunciada pelo presidente Abdurrahman Wahid ontem à noite, manteve sua sessão destinada a destituir o chefe de Estado e a antecipou por uma hora, informou um líder parlamentar.
A sessão especial da Assembléia Consultiva do Povo, Câmara Alta do parlamento indonésio, ‘‘começará às 8 horas locais (22 horas de Brasília)’’, disse o presidente da assembléia, Amien Rais, durante uma coletiva em Jacarta.
O presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, precipitou os fatos ao assinar ontem um decreto no qual suspende a legislatura, impede seu processo de impeachment e convoca novas eleições para daqui a um ano. Em um pronunciamento à nação, ele pediu ao Exército e à polícia que mantenham a lei e a ordem para evitar a realização de uma audiência de impeachment.
Não está claro se o decreto equivale a uma declaração de estado de emergência – medida que ele já ameaçou adotar caso a assembléia nacional continue tentando removê-lo do cargo.
No entanto, o presidente da Câmara Baixa do parlamento indonésio, Akbar Tanjung, disse ontem que rejeita o decreto do presidente Abdurrahman Wahid, ordenando a ‘‘dissolução’’ do Parlamento e do partido que lidera.
‘‘Como resposta ao anúncio do presidente, comunico a rejeição da Câmara Baixa do parlamento porque viola a Constituição’’, disse Tanjung numa coletiva. Chamou a decisão do presidente de ‘‘autoritária e ditatorial’’.
Tanjung, que lidera o partido Golkar, o segundo com mais cadeiras no Parlamento, acertou com outros parlamentares votar de forma unânime a convocação de Wahid no âmbito de seu processo de destituição.
O ministro indonésio da segurança, Agum Gumelar, e o secretário de gabinete do presidente Abdurrahman Wahid, Markuzi Darusman, se demitiram ontem, horas depois do decreto da ‘‘suspensão’’ do parlamento pelo chefe de Estado, informou a imprensa local.
Gumelar anunciou sua renúncia após deixar precipitadamente o palácio presidencial antes da comunicação de Wahid, informou o site da Internet Detikcom. Marzuki Darusman também afirmou à Detikom que renunciava ao seu cargo de secretário presidencial.
‘‘Não estou de acordo com esse decreto. Renuncio’’, disse Darusman, assinalando que comunicou sua objeção a Wahid, que não a levou em conta.

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