A Justiça argentina convocará para depor o vice-presidente Carlos Alvarez e mais uma dezena de altos funcionários federais e legisladores envolvidos num escândalo por suposto pagamento de subornos a senadores.
O próprio Alvarez – que tem como atribuição a presidência do Senado – apresentou à Justiça o pedido de investigações com o objetivo de esclarecer se alguns senadores foram subornados para votar a favor de uma lei de reformas trabalhlistas aprovada há quatro meses.
As denúncias levaram o Escritório Anticorrupção do governo a pedir à polícia política, a Side, para verificar a ocorrência de gastos injustificados em suas contas.
Denúncias anônimas e da imprensa acusaram o chefe da Side, Fernando Santibañes, e o ministro do Trabalho, Alberto Flamarique, como os principais responsáveis pelo pagamento dos subornos.
Segundo estas versões, Santibañes, um ex-banqueiro, teria utilizado os ‘‘fundos reservados’’ da Secretaria de Inteligência para pagar os subornados.
Flamarique, o ministro do Trabalho, apresentou-se espontaneamente no Senado ante ontem à noite, qualificou as denúncias de ‘‘lixo’’ e pediu que se alguém tivesse alguma acusação contra ele, que a apresentasse ‘‘na cara’’.
Além da Justiça, também o Escritório Anticorrupção e uma comissão do Senado investigarão o escândalo – considerado o pior desde o restabelecimento da democracia em 1983.
Dentro da coalizão governista, as denúncias ameaçam deteriorar as relações, até agora estreitas, entre De la Rúa, da centrista União Cívica Radical (UCR), e o vice-presidente Carlos ‘‘Chacho’’ Alvarez, líder da centro-esquerdista Frente do País Solidário (Frepaso).

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