Buenos Aires - Em uma sessão conturbada na comissão de juízo político da Câmara, deputados que apoiam o governo argentino recusaram oito pedidos para investigar o vice-presidente, Amado Boudou. Além de ser réu na Justiça argentina, Boudou também tinha oito pedidos de investigação no Congresso. Eles foram apresentados por causa da compra da gráfica Ciccone - o vice-presidente é acusado de ter adquirido, de maneira oculta, a empresa. Isso teria acontecido quando ele era ministro da Economia. A empresa foi favorecida com decisões governamentais.
Na sessão desta quinta-feira, a deputada kirchnerista Adela Segarra leu um discurso em que listou todos o pedidos de juízo político que pediam uma investigação por mau desempenho na função. Ela afirmou que era preciso respeitar o princípio de inocência presumida antes de se instalar um juízo político.
Segundo ela, como Boudou não foi condenado "por uma sentença final, firme e de última instância", não existe motivo para o Congresso instalar um processo paralelo, "afetando o judicial".
Segarra aproveitou para criticar a imprensa, dizendo que os "meios concentrados" fazem um julgamento político em uma tentativa "corporativa de desestabilização política". Em seguida ela colocou a resolução em votação na comissão e venceu.
Até o começo desta semana, os deputados governistas seguraram os pedidos de juízo político, para que eles não fossem colocados em pauta. Mas a tática deles mudou: se antes eles protelavam a votação dos pedidos, agora aceleraram, os colocaram em votação e os derrotaram.
A ideia era aproveitar enquanto a seleção do país ainda está na Copa do Mundo, o que faz com que os argentinos prestem menos atenção ao caso. Na Justiça, o vice-presidente foi processado na última hora de sexta. Nesse mesmo dia, mais cedo, os advogados dele haviam apresentado um pedido para ampliar o depoimento que Boudou havia feito.
Depois de processar o vice, o juiz Ariel Lijo aceitou a volta dele ao tribunal. Mas, agora, os advogados não querem mais. Eles enviaram uma carta na qual se lê que eles entendem "que o magistrado já tinha o projeto de me processar, e que uma ampliação (das declarações que ele já havia dado) não poderiam modificar uma linha". O juiz aceitou o pedido de desistência de Boudou e não vai haver um novo depoimento.

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