Paris é a capital da juventude católica
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Reali Júnior Agência Estado Paris 
France PresseEnsaioJovens desfilam junto à Torre Eiffel, num ensaio para a abertura da JMC Paris se transforma hoje na capital internacional da juventude católica, recebendo mais de 300 mil jovens entre 18 e 35 anos que deverão participar, juntamente com o papa João Paulo II, que chega quinta-feira, da 12ª Jornada Mundial da Juventude. Oficialmente, as manifestações serão abertas hoje à tarde com a missa campal celebrada pelo cardeal de Paris, monsenhor Jean-Marie Lustinger, no Champs de Mars, junto à Torre Eiffel, coadjuvado por mais de 300 bispos e 100 padres vindos de todas as partes do mundo.
Para os críticos do papa e da Igreja Católica trata-se de um festival Woodstock da fé cristã, uma definição que contém uma certa dose de impertinência, mas que não deixa de parecer verdadeira na medida em que se trata de uma reunião de jovens vindos de 140 países, alguns atravessando fases difíceis de sua história - caso da Argélia, Ruanda, Bósnia e Palestina -, dispostos a celebrar sua fé ao lado de João Paulo II.
O ponto alto dessa manifestação de fé católica será a missa de domingo, encerramento da JMC, no Hipódromo de Longchamps, no Bois de Boulogne, transformado numa verdadeira catedral ao ar livre. Para o local são esperados mais de 600 mil fiéis.
Se no passado as maiores críticas eram dirigidas ao arcaísmo da Igreja Católica, agora, elas se concentram na opção pela modernidade e competência de seus dirigentes que optaram por empregar os métodos mais modernos de comunicação, informáticos e televisuais, uma despesa superior a US$ 50 milhões. Isso tem irritado alguns setores que se confessam chocados com uma exagerada exploração da mídia sobre um acontecimento religioso, como se a Igreja Católica tivesse decidido privilegiar o espetáculo ao sentimento puramente religioso.
Não se pode esquecer que se trata de um festival de juventude, onde a comunicação entre os jovens passa, em grande parte, pela música, mesmo se as canções do papa, hoje em dia, não pareçam ser as preferidas da maior parte da juventude católica francesa. Apesar de tudo, ele continua a ser uma das personalidades mais respeitadas e populares do planeta.
Os jovens peregrinos que desembarcam na capital francesa estão espalhados em diversos centros de alojamento preparados para esse festival da juventude católica e contribuem para dar um toque de alegria nessa capital desertada por seus habitantes nessa época do ano, auge das férias de verão.
Desta vez, segundo alguns analistas, não serão as centenas de milhares de jovens reunidos em Paris os mais atentos aos sermões do papa, de suas dezenas de cardeais e centenas de bispos, mas sim os dirigentes católicos é que estarão à escuta da Juventude Católica. Pelo menos essa é uma ocasião única para que eles sintam seus problemas, suas dificuldades e reivindicações, buscando um caminho comum para que eles possam preservar sua fé cristã e manter sua religiosidade. Mesmo para reunir 8 mil voluntários no mês de agosto em Paris não foi fácil (a expectativa inicial era de reunir 20 mil). Nesse verão, a maior parte dos jovens optou pela praia.


