Associated Press
De Miami
Desafiando as autoridades americanas, os parentes de Elián González em Miami não entregaram ontem o menino cubano à custódia de seu pai, Juan Miguel González, no prazo estipulado pelo governo e, uma hora depois de vencido o ultimato, conseguiram de um juiz federal de Atlanta uma ordem temporária de emergência que impede a saída do garoto de 6 anos dos EUA.
A ‘‘ordem de permanência temporária’’ baixada pelo juiz J. L. Edmondoson, de um tribunal de apelações de Atlanta, dura até as 9h30 locais de hoje, mas, segundo o governo, atrasará em três ou quatro dias a resolução do caso. Isto porque o Departamento de Justiça concordou em esperar até que o tribunal analise em profundidade o recurso apresentado pelos parentes que tentam manter Elián no país.
O tio-avô de Elián em Miami, Lázaro González, tinha sido instruído pelo governo para entregar o menino no aeroporto de Opa-locka, perto de Miami, até as 14 horas locais de ontem (15 horas em Brasília). De lá, Elián seria levado para Washington, onde Juan Miguel o aguarda desde a semana passada. Cinquenta carros da polícia e 200 agentes foram mobilizados em torno do aeroporto.
No entanto, Lázaro manteve o garoto na casa do bairro de Little Havana onde ele tem vivido desde que foi resgatado, há quatro meses e meio, do naufrágio no qual morreu sua mãe. E divulgou um vídeo caseiro no qual Elián diz que não quer voltar à terra natal. ‘‘Pai, não quero ir pra Cuba’’, diz, mascando chiclete. ‘‘Se você quiser, fique aqui.’
Reagindo à divulgação do vídeo, Juan Miguel pediu, por meio de seu advogado, que seja respeitada a intimidade de seu flho e advertiu que não autorizou a difusão de imagens da criança. ‘‘Só Juan Miguel González, na qualidade de pai, fala em nome de seu filho’’, disse o advogado Greg Craig, exigindo a devolução imediata de Elián. ‘‘Esses parentes não só violaram a lei, como afetaram emocionalmente e exploraram o menino.’
‘‘Não vamos entregar esta criança - nem em Opa-locka nem em locka’ nenhum’’, afirmou Lázaro. Diante da casa em Little Havana, milhares de manifestantes contrários à entrega do filho ao pai concentraram-se para tentar impedir a eventual retirada à força de Elián.
‘‘Guerra, guerra!’, gritaram alguns dos manifestantes. Outros, porém, renovaram promessas de não-violência. O ator Andy Garcia e a cantora Gloria Estefan, ambos cubano-americanos e contrários à repatriação de Elián, passaram algum tempo entre os manifestantes e dentro da casa. Garcia pediu que seja respeitada a vontade da criança de permanecer nos EUA.
O prefeito de Miami, Joe Carollo, anunciou ontem que a polícia local protegerá os agentes federais, se tiverem de intervir para levar o pequeno Elián da casa de seu tio-avô Lázaro González. ‘‘É nossa responsabilidade controlar as pessoas e proteger os agentes federais’’, declarou Carollo ao canal televisivo NBC.
O prefeito afirmou contudo que ‘‘há uma coisa que a polícia de Miami não fará, é entrar na casa para retirar o pequeno Elián, chorando e gritando que quer ficar nos Estados Unidos’’.Familiares do menino em Miami não obedeceram à ordem da Justiça americana e adiaram a solução do caso que já se arrasta por cinco meses
France PresseDISPUTAManifestantes em frente à casa onde o menino (detalhe) vive em Miami exigem que ele fique nos EUA

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