Parentes em vigília sob a chuva
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quinta-feira, 24 de outubro de 2002
Vincent Begin <br>France Presse 
MoscouParentes e amigos dos reféns sequestrados no teatro de Moscou, que chegaram ao local, passaram a noite sob a chuva, junto com os jornalistas e alguns curiosos, com a esperança de conseguir alguma informação.
''Nossas esposas foram ver o espetáculo sem nós, porque estávamos ocupados'', disseram Mikhail e Serguei, que estão há várias horas em uma rua vizinha ao teatro, usando seus casacos molhados. Para conseguir um pouco de calor, abriram uma garrafa de conhaque. ''Brindemos para que tudo termine bem'', exclamou um deles, antes de beber um bom trago.
Mas há outro parente de um refém que parece muito mais abatido e que não tem nenhuma ilusão sobre o desenvolvimento dos acontecimentos: ''Não tenho confiança nessa gente (os sequestradores), não acredito que tudo termine bem'', declarou.
Várias vezes durante a noite, grupos de jovens, alguns embriagados, tentaram forçar o cordão de segurança para aproximar-se do teatro, declarando estar dispostos a tomar o lugar das mulheres mantidas como reféns.
Visivelmente emocionada, Yulia espera junto com um amigo há várias horas também perto da barreira. ''Minha mãe está na sala. Ela nos telefonou para dizer que estava bem, mas me sinto muito impotente'', comentou a mulher.
Em um ginásio próximo do teatro, as autoridades instalaram um centro de ajuda médica e de apoio psicológico para os familiares dos reféns e no qual se pode beber café quente.
Ao amanhecer, os curiosos começaram a ficar cada vez mais numerosos, entre eles os alunos das escolas do bairro, fechadas devido ao acontecimento.
''Fui rezar na igreja e depois vim para cá. Não sei o que fazer. Que horror'', exclama chorando a avó de um dos reféns, um jovem de 19 anos que trabalha no teatro.
O letreiro luminoso que anuncia o título da comédia musical ''Nord-Ost'' continua brilhando, enquanto o drama, cada vez mais real, se desenvolve no interior da sala, situada em um centro cultural na zona sudeste de Moscou.
Os familiares dos reféns, entre quinhentos e mil, segundo diferentes estimativas, dirigiram ontem de manhã uma solicitação ao presidente Vladimir Putin, para que não lance um ataque contra o comando rebelde.


