Curitiba - A jornalista Sâmar Razzak, que faz mestrado em Paris, estava em casa estudando quando os atentados aconteceram. Ela mora a poucas estações de metrô de onde ocorreram as mortes. "Parece que não foi verdade. É uma sensação muito estranha", disse. Ela contou que na sexta-feira à noite podia ouvir de casa as sirenes dos carros de polícia e dos bombeiros.
Sâmar disse que no momento que soube dos ataques não sabia direito o que fazer, se ligava para a família para dizer que estava bem ou se ligava para os amigos que moram na cidade para saber se eles estavam seguros. E não teve coragem de sair na rua logo depois que os ataques ocorreram. "Fiquei em choque. Hoje (ontem) de manhã saí para ver como estava na rua. Os supermercados, padarias, farmácias e o comércio em geral estavam abertos. Mas museus, atrações turísticas, universidades e escolas não funcionaram", contou a jornalista, cuja família mora em Paranaguá (Litoral). Ontem de manhã ela tinha que ir para a faculdade, mas não foi possível. "O mais aterrorizante foi o fato de terem sido vários atentados. A gente ouvia que eram 13 mortos. Passava uns minutos já eram 18, depois 40, depois cem. A sensação era de choque, de algo inacreditável", disse.
Sâmar disse que só conseguiu ir dormir às 5h30 (horário local) de sábado, mas só conseguiu descansar por cerca de três horas. Ela conta que hoje as pessoas estão tristes nas ruas, sem reação e um sentimento de solidariedade toma conta da cidade.
Ela chegou a Paris no final do mês de janeiro, pouco depois do ataque ao "Charlei Hebdo". Naquela época, conta ela, era possível ver muitos homens do Exército nas ruas, armados com metralhadoras. "Era para tornar mais seguro, mas dava uma sensação de insegurança. Aos poucos isso foi diminuindo e a vida foi ficando mais normal", disse.

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