Samarra - Duas províncias de maioria sunita se pronunciaram contra e a terceira a favor do projeto de Constituição iraquiana no referendo de sábado, segundo resultados não oficiais divulgados sem a aprovação da sede central da Comissão Eleitoral.
''Setenta e um por cento dos eleitores de Salaheddin disseram 'não' à Constituição'', informou Salah Khalil Faraj, chefe local da comissão da província, feudo da família do ex-ditador Saddam Hussein. ''Estes são os primeiros resultados não definitivos que ainda devem ser afinados'', explicou, recordando que o índice de participação nesta província foi de 88%.
Na cidade de Samarra, 95% dos votos foram negativos ao texto e somente 3% o aprovaram, acrescentou. Em Diyala, outra província de maioria sunita a nordeste, os primeiros dados parciais da comissão eleitoral local dão 66% a favor da Constituição, enquanto que a participação se situa também em 66%.
Um dos porta-voz em Bagdá da Comissão Eleitoral Independente, Farid Ayyar, desaprovou essas cifras. ''A Comissão não publicou nenhum resultado até o momento sobre o referendo e trabalha para acabar a apuração das cédulas para poder assim dar cifras parciais nesta segunda ou terça-feira''.
''As cifras que atualmente circulam são apenas uma pura especulação'', acrescentou.
Mais de 15,5 milhões de eleitores estavam convocados às urnas para se pronunciar sobre um texto que senta as bases de um Iraque federalista e descentralizado, ao qual uma parte dos árabes sunitas se alinhou depois das modificações de último minuto que permitem fazer emendas ao texto depois das eleições legislativas previstas para 15 de dezembro. Em 20 de outubro será publicado um primeiro resultado provisório em nível nacional do referendo, que não será oficializado até 24 de outubro, afirmou outro funcionário da Comissão, Farid Ayyar.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse ontem, em Londres, que o resultado do referendo iraquiano sobre o projeto de Constituição é desconhecido, mas que o envolvimento da população no processo político ''é uma má notícia para os terroristas''.
No sábado, cerca de 1 milhão de pessoas a mais votaram no referendo em comparação às eleições de janeiro, indicou Condoleezza ao canal de TV Fox News. ''Está muito claro que a população iraquiana está agora envolvida no processo político (...) Seja qual for o resultado do referendo, os iraquianos estão aproveitando o processo político para mostrar seus pontos de vista, o que é uma má notícia para os terroristas'', disse a secretária de Estado americana. ''As forças de segurança iraquianas, o exército e a polícia aparentemente fizeram um trabalho muito bom e conseguiram proteger os locais de votação. As forças de segurança estão ganhando a confiança da população iraquiana'', comentou Condoleezza.

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