Parciais dão vitória a esquerdista no Equador
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terça-feira, 28 de novembro de 2006
France Presse 
Quito- O esquerdista Rafael Correa consolidava ontem sua vitória nas eleições presidenciais do Equador sobre o magnata de direita Alvaro Noboa, que pediu uma contagem voto a voto em duas províncias que representam 36% da votação total.
Segundo essa contagem, Correa - amigo do presidente venezuelano Hugo Chávez - estava com 68,1% (2.111.328 votos), contra 31,8% de Noboa (987.008). A abstenção estava em torno de 25,8% e o veredicto final será conhecido entre hoje e amanhã.
Correa, de 43 anos, pediu ontem que Noboa aceite a derrota. ''É uma vitória histórica, o êxito é contundente'', declarou o ex-ministro da Economia ao criticar o pedido de Noboa de uma contagem voto a voto em duas províncias.
O provável presidente anunciou que, no poder, tentará uma aproximação com Chávez, e reafirmou que se absterá de assinar um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos e de prorrogar um convênio pelo qual esse país opera a base militar de Manta, seu principal posto antidroga no Pacífico.
Além disso, anunciou que pretende renegociar a dívida de seu país com organismos internacionais. ''A Venezuela tem 53 bilhões de dólares em reservas líquidas pelos excedentes petrolíferos, nossa dívida externa é de 11 bilhões de dólares. Podem reestruturar nossa dívida com facilidade'', afirmou. Correa também anunciou que tentará o reingresso do Equador na Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) - de onde saiu em 1992 - e garantiu que manterá a dolarização da economia.
No entanto, Noboa, um magnata bananeiro de 56 anos, não reconheceu os resultados parciais e pediu a reabertura das urnas das províncias de Guayas e Manabí.
''Isto pode atrasar o anúncio oficial do ganhador, porque será uma apuração voto a voto. Depois que emitirmos os resultados definitivos, estes ainda poderão ser impugnados'', disse Xavier Cazar, presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).
Noboa, que se candidatou pela terceira vez à Presidência, advertiu que denunciará a eleição se encontrar evidências de fraude. ''Se houver fraude como em 1998 (no segundo turno com Jamil Mahuad) farei a denúncia'', disse.
Correa, eleito para o período 2007-2011, perdeu o primeiro turno no dia 15 de outubro, quando Noboa - o homem mais rico do país - conseguiu 26,8% da votação, contra 22,8% de seu rival.


