Paranaenses se preparam para possível recessão
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de março de 2001
Vânia CasadoDe Curitiba 
Os empresários do setor de avicultura do Paraná já estão se preparando para conquistar novos mercados para compensar a perda do mercado argentino. É consenso entre eles que o pacote argentino vai reduzir bastante as compras de alimentos do Brasil, principalmente de frango e suínos. O setor automotivo também será bastante afetado com a desaceleração da demanda naquele país, avaliou o economista Luiz Eduardo Sebastiani, do Conselho Federal de Economia.
Para o empresário Paulo Muniz, presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), o setor já vinha enfrentando uma redução drástica nas vendas para a Argentina, desde que o país adotou uma sobretaxa para as importações de frango do Brasil.
As exportações brasileiras para a Argentina, que oscilavam ao redor de 60 mil toneladas por ano, iriam cair para 30 mil toneladas este ano, o que representa uma redução de 50%. Agora, com a edição deste pacote econômico, as exportações para a Argentina vão cair mais ainda, prevê.
Muniz acredita que apenas as grandes empresas que operam no Paraná, como Sadia, Ceval de Jacarezinho e Big Frango, que já mantêm unidades industriais naquele país, vão continuar operando. Mesmo assim, poderão decidir pela redução nas atividades se a recessão no consumo for muito forte, como se espera.
Para as demais empresas, Muniz afirma que este é o momento ideal para se conquistar o mercado europeu. Segundo ele, os empresários brasileiros devem ser mais agressivos e ocupar o vácuo deixado pela queda do consumo de carne vermelha em função das doenças do mal da vaca louca e, agora, da febre aftosa. Entre os alvos para se ampliar mercado estão o leste europeu, o mercado asiático e a consolidação na participação no Oriente Médio, aponta o empresário.
Para o economista Luiz Eduardo Sebastiani, o pacote argentino vai provocar turbulências na economia brasileira à medida que as exportações de produtos brasileiros forem afetadas. Além disso, deverá influenciar diretamente no mercado financeiro do Brasil devido à interligação do sistema financeiro dos dois países. No curto prazo, será inevitável a redução nas compras.
Outra agravante do cenário econômico são as consequências da crise política na Argentina, que pode provocar mais instabilidade no mercado financeiro. O economista salienta que o mercado financeiro brasileiro vai ficar de olho no vizinho argentino, pois o que mais se teme, caso o pacote econômico não tenha sucesso, é o calote da dívida argentina.


