Paranaenses que estavam no Líbano chegam a Curitiba
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de julho de 2006
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As mais de oito horas de espera no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, ontem, pareciam intermináveis para o casal Fauez e Zahia El Assal. Eles aguardavam o filho, Faissal, de 14 anos, que chegaria do Líbano junto com outros cinco parentes: os primos Gassam e Nabiha Bhay e mais três crianças. Todos moram em Paranaguá.
A chegada ao Brasil coincidiu com a vinda do segundo grupo de 150 brasileiros resgatado por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), mas os paranaenses conseguiram sair do conflito em um vôo comercial de Damasco, capital da Síria, para Paris na tarde de domingo. A lista de brasileiros para sair do Líbano com ajuda do consulado, contou Zahia, tinha quase mil nomes e a espera por uma vaga poderia ser muito demorada.
Além de Fauez e Zahia vários outros parentes ocupavam o hall do aeroporto para aguardar a chegada de Faissal, segurando uma faixa de boas-vindas e registrando com filmadoras e câmeras fotográficas o desembarque do adolescente e seus familiares. Os pais não contiveram as lágrimas ao ver Faissal aparecer na rampa de desembarque.
Faissal estava no Líbano há 27 dias e disse que quando os ataques começaram, ele não queria retornar ao Brasil, pois a cidade onde estava Herbet Trhua , ao norte, estava longe dos bombardeios. Os pais, no entanto, preocupados com a situação, pediram que ele voltasse. Os planos iniciais eram de permanecer três meses no Líbano, conhecendo o país e seus parentes. ''A gente ouvia no noticiário que logo iria diminuir (os bombardeios), mas piorou'', relatou Faissal, acrescentando que, mesmo distante dos ataques, tinha dificuldades para dormir com o barulho dos bombardeios e o tremor da casa em que estava.
O momento de maior tensão, lembrou o adolescente, foi na viagem de Herbet Trhua a Damasco. O percurso de aproximadamente 60 quilômetros demorou quatro horas para ser percorrido. ''Três bombas caíram a cerca 500 metros da gente. Rezei de tudo que é jeito. Em português, em árabe...Nessa hora deu medo. Foi uma experiência para eu contar para os netos e os netos dos netos'', disse ele.


