Uma viagem que começou bem, terminou de forma trágica para os casais Paulo e Suely Soares e Jucilene e José Carlos Barichello, de Jandaia do Sul (Noroeste). Na verdade, a viagem ao Chile sequer terminou, pois desde sábado estão ''presos'' com mais outros 21 brasileiros num hotel na capital Santiago em decorrência do terremoto que atingiu o país. Os quatro saíram do Brasil no dia 19 de fevereiro e voltariam para casa na manhã do dia em que ocorreu o tremor.
Sem saber o que havia acontecido, Débora De Nez Soares, filha de um dos casais, recebeu a ligação da mãe bem cedo no último dia 27. ''A notícia ainda não havia chegado aqui. Foi um desespero na hora em que minha mãe disse sobre o terremoto'', lembra a jovem. Segundo ela, desde então, os contatos estão sendo feitos por telefone e internet. ''Falei com eles algumas vezes, mas sempre é tudo muito rápido. Não sabemos exatamente como está a situação por lá'', comentou.
Guilherme Barichello, filho de Jucilene e José Carlos, falou que está preocupado com os pais. ''Até hoje estava mais tranquilo, pois meu pai me disse que voltariam na quarta-feira. Mas agora estão sem previsão de nada''. De acordo com ele, os pais relataram o horror que viveram. ''Disseram que as paredes do quarto racharam, tudo balançou e os carros na rua estavam revirados. Apesar de não estarem feridos, estavam muito assustados.''
Ontem, após inúmeras tentativas, Débora conseguiu contato com o pai pelo telefone. José Carlos falou rapidamente com a reportagem da FOLHA e disse que estava vivendo um pesadelo. ''A cidade está um caos, um terror, e os tremores continuam. Estamos bem, mas está faltando tudo, desde água a comida. Além disso, não temos informação alguma de quando vamos sair daqui. Um grupo de brasileiros foi até o consulado e não nos deram nenhuma ajuda ou nos falaram algo'', reclamou o empresário.
Soares disse ainda que hoje tentariam ir de ônibus para a cidade de Mendonza, na Argentina. ''Vamos tentar sair daqui por conta própria, pois até agora não tivemos apoio nenhum do governo brasileiro. Estamos completamente abandonados e sem perspectiva de ajuda'', revelou. Para piorar a situação, várias pessoas que estão junto com ele fazem uso de medicamento controlado e contínuo. ''Tomo remédio do coração. Hoje (ontem) à noite, vou tomar o último comprimido. Meu amigo toma insulina e sua taxa de glicemia está em 500.''
O grupo de brasileiros escreveu uma carta destinada ao presidente Lula pedindo intervenção do governo e de autoridades. Na carta eles pedem o resgate imediato das famílias por meio da aeronave da Aeronática, já que não há previsão de voos para o Brasil. Eles dizem também que têm dificuldade de se alimentar, além de estarem suscetíveis a assaltos, devido aos saques que acontecem da cidade. ''Estamos em vigília constante no hall do hotel'', diz um trecho. Desde o desastre, os brasileiros estão dormindo no saguão com medo de novos tremores.

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