Paranaenses chegam em casa após terremoto
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quinta-feira, 04 de março de 2010
Marian Trigueiros<BR>Reportagem Local 
Depois do susto, a merecida calmaria. Os casais Paulo e Suely Soares e Jucilene e José Carlos Barichello, de Jandaia do Sul (Noroeste), que sentiram na pele o terremoto do último sábado no Chile, puderam, enfim, abraçar a família e sentir alívio por estarem em casa. Os quatro chegaram ao Brasil na noite de quarta-feira, depois de muitas horas de agonia e aflição em terras andinas. Eles voltariam no dia em que ocorreu o tremor.
Agora perto da filha e do neto, o empresário Paulo Soares conta que passaram momentos de muito medo. ''Acordamos com o prédio do hotel balançando. Era um barulho estrondoso que não acabava nunca. Parecia que um trem estava passando por cima da gente. Foram dois minutos intermináveis'', lembra. A esposa Sueli disse que, no momento do tremor, pensava que iria morrer. ''Achava que não veria mais minha família.''
José Carlos Barichello, que acompanhava o casal de amigos com a esposa, declara que no momento do tremor mais forte não conseguia parar em pé, tamanho era o balanço. ''Achei que o prédio iria cair. Ficamos esperando o pior, que iria desabar mesmo. Nunca me senti tão impotente. A cada novo tremor, o medo voltava a tomar conta'', revela.
Falta de informações
Mas o pior ainda estaria por vir. A falta de informações e de apoio da Embaixada brasileira deixava os paranaenses ainda mais nervosos e preocupados. ''Não nos deram informação ou suporte algum. No dia seguinte ao abalo, a cidade inteira estava fechada. Não tinha onde comprar comida ou água. Passamos dois dias apenas com o café da manhã do hotel'', recorda Sueli.
Paulo lembra ainda que não tinha dimensão do que o terremoto havia causado até então. ''Tentamos embarcar naquele dia, mas as avenidas estavam impedidas. No caminho para o aeroporto viadutos tinham caído, os carros estavam todos revirados, as ruas rachadas. Uma cena horrível que nunca imaginei que iria ver.'' Sem saída, tiveram que retornar ao hotel e, amendrontados, os hóspedes passaram a dormir no hall.
Os dias passaram e sem qualquer perspectiva de ajuda, vários brasileiros se mobilizaram e conseguiram uma rota alternativa. ''Assim que soubemos que teria um possibilidade de sair, alugamos uma van por conta própria para ir até Mendonza, na Argentina. Quando chegamos lá, senti que tinha escapado do inferno. Foi um alívio muito grande, pois de turista eu tinha virado refém do medo'', comenta Barichello. De lá seguiram para Buenos Aires e, em seguida, para São Paulo.
Segundo Sueli, muitos brasileiros não tiveram a mesma sorte e ficaram à espera de ajuda no Chile. ''Várias pessoas não tinham dinheiro, pois já estavam no final da viagem, tanto que voltariam no mesmo voo que nós, no dia em que aconteceu o terremoto. A situação lá está muito precária. Estou preocupada com eles.''
Chegada
Muito emocionado, Barichello fala sobre o momento que reencontrou os filhos. ''Assim que cheguei a Londrina, ajoelhei no aeroporto e pedi perdão a Deus por todos os meus pecados e agradeci por estar vivo. Naqueles dias de terror só pensava nos meus filhos. Posso dizer que sou uma pessoa diferente hoje'', confessa, chorando.
Paulo também fala sobre seu encontro com a família. ''Já em São Paulo liguei para todos os meus filhos. Quando vi meu netinho então, foi só alegria. Semana que vem vou me encontrar com todos eles em Santa Catarina'', antecipa.


