A instabilidade política que toma conta da Ucrânia provocou muita apreensão entre alguns paranaenses. Oksana Jadvizak é de Prudentópolis (Centro-sul), município onde há uma comunidade muito grande de ucranianos e seus descendentes. Ela se formou em janeiro deste ano em História pela Universidade Católica Ucraniana e ainda está no País como turista em Lviv, oeste da Ucrânia, perto da fronteira com a Polônia. Ela relata que atualmente o clima político na Ucrânia está muito imprevisível. "O ex-presidente diz que não vai participar das eleições porque são ilegítimas segundo as leis e a Constituição da Ucrânia. O País passa por uma crise interna política, econômica e até religiosa", destacou. Ela apontou que o Governo provisório durará até maio, mas observou que os ucranianos não sabem do amanhã, porque sabem também da potência que cruza a fronteira com o país deles, que é a Rússia. "Agora o problema está na Crimeia, que é uma República autônoma, onde a Rússia tem a base militar. Se tem um fim tudo isso, ainda não sabemos", destacou.
Oksana conhece bem a praça onde tem acontecido os principais protestos em Kiev. "Trabalhei em Kiev nas eleições parlamentares em 2012 como observadora internacional. Se conseguir um pedido para trabalhar em maio, aí fico um pouco mais", destacou Oksana. Sua irmã, Lubina Jadvizak Costa, reside em Prudentópolis e tem se comunicado diariamente com Oksana. "Há alguns dias a situação estava mais tensa, mas agora está mais calma", afirmou Lubina. Ela destacou que também conhece a região onde mora sua irmã e o local onde acontecem os protestos. "O povo ucraniano defende o seu País até o fim. Eles querem mudanças", ressaltou. Sobre a possibilidade da situação se agravar mais, Lubina afirmou que a irmã é uma pessoa muito sensata. "Ela é muito pé no chão. Não vai se expor", projeta Lubina.

De volta
O zagueiro Dirceu, ex-Coritiba e Londrina, havia sido contratado por dois anos para defender o FC Goverla, da Ucrânia, mas diante da instabilidade política do País, resolveu rescindir o contrato e retornar ao Brasil. Na tarde de quinta-feira ele resolveu que irá defender o Londrina Esporte Clube novamente, no qual foi o capitão e se destacou como jogador. Dirceu fez a primeira parte da pré- temporada na Turquia, onde se encontrou com o grupo e começou a treinar. No intervalo da primeira fase desta pré-temporada foi à Ucrânia para resolver o problema da papelada, mas foi justamente neste período que começou a crise politica e todo mundo foi às ruas. "Foi bem impactante para mim. Eu via os carros tombados, pneus formavam as barricadas para as pessoas não ultrapassarem aquela linha e mesmo com aquele frio as pessoas ficavam sem camisa lutando contra a aliança do governo com a Rússia", relembrou.
Segundo ele, os próprios jogadores ucranianos tinham medo de retornar às suas cidades, porque a locomoção estava complicada para quem quisesse sair de Kiev. "Os jogadores ucranianos não apoiavam os russos ou pessoal de Kiev. Eles estavam mais preocupados com a família do que com a situação política em si", destacou. No Goverla estão ainda mais dois jogadores estrangeiros, além de Dirceu. Um deles é outro brasileiro, o Wallace, que saiu aos 18 anos do Brasil. "Ele é casado com uma ucraniana e têm uma filha de 2 anos. O irmão dela mora na Moldávia e eles estavam cogitando em ir para lá", contou. O outro estrangeiro do time é um boliviano que tem residência da família em Budapeste. "A situação mais complicada era a minha, que não tinha família por lá e morava muito distante da Ucrânia, então resolvi voltar mesmo", justificou.
De acordo com o jogador, como não dominava o idioma, estava longe de seu País e via os próprios ucranianos temendo que algo poderia acontecer ao seu País, passou a questionar se valeria a pena ficar longe de casa e de sua família para jogar lá fora. Nesse mesmo período sua esposa anunciou que estava grávida. "Mesmo depois dela ter anunciado a gravidez e ver tudo isso acontecer, foi melhor ter o contrato rescindido", assegurou. Hoje ele declara que está feliz e agradecendo por tudo o que aconteceu com ele. "Essas coisas não acontecem por acaso. Com o contrato assinado, o clube não tinha dado entrada da papelada na Federação Ucraniana. É estranho falar assim, mas parece que não era para acontecer", afirmou o zagueiro.
O próprio treinador disse que havia uma indefinição se o clube iria fechar ou não. "Entre os times que disputam o campeonato ucraniano, duas ou três equipes não sabiam se continuariam na competição. Até o momento em que saí de lá, o campeonato não tinha sido suspenso. Dirceu chegou ao Brasil na segunda-feira passada e na nesta semana se apresenta ao Londrina.
"No último dia de prazo para a inscrição no campeonato paranaense, recebi a ligação do Londrina. Meu advogado disse que não tinha problema nenhum e de cara mostrei interesse de ajudar o Londrina", afirmou.

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