Paranaense sobrevive à queda de avião no Peru
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de agosto de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A família de Wagner Roberto Adolfato Souza, 25 anos, um dos dois brasileiros que sobreviveram à queda do Boeing 737-200, na terça-feira, no Peru, aguarda com ansiedade a volta do rapaz para sua casa, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Apesar de Wagner ter garantido aos pais e à namorada, por telefone, que sofreu apenas queimaduras leves e está bem, todos ficaram preocupados depois de ver, pela televisão, imagens de Wagner internado em uma clínica na cidade de Pucallpa (490 km ao noroeste de Lima, capital do Peru).
Wagner e Nivaldo Papeti, 47, eram os dois únicos brasileiros a bordo do avião, da companhia peruana Tans, que levava 98 pessoas, sendo seis tripulantes e 92 passageiros. Até ontem à tarde, estavam confirmadas 40 mortes. Outras 56 pessoas sobreviveram e dois continuavam desaparecidas. O avião tinha saído de Lima com destino a Pucallpa e, posteriormente, iria para a cidade de Iquitos. A 4,8 km do aeroporto de Pucallpa, pouco antes do pouso, o avião caiu, ao tentar fazer uma aterrissagem de emergência em plena tempestade.
Wagner tinha saído de Curitiba um dia antes, na segunda-feira, com intenção de aliar trabalho e turismo na viagem. No dia seguinte, já no Peru, seguia para a cidade de Pucallpa. Ali, segundo Joaquim Carlos de Almeida, gerente técnico da Marrari Automoção Industrial, empresa curitibana onde trabalha há um ano e quatro meses, ele visitaria clientes e realizaria treinamento de representantes da empresa na região.
Em São José dos Pinhais, a família teve notícias de Wagner menos de duas horas após o acidente. Assim que foi medicado, ele ligou para os pais, dizendo que havia sofrido apenas queimaduras leves e estava bem. ''Ganhei um filho de novo. Agora ele tem dois aniversários para comemorar'', dizia o pai Waldemar André de Souza, que, ainda ontem tentava driblar o nervosismo com a situação. Sua mulher, Sirley, segundo ele, ficou bem mais ''abatida e nervosa'' e não queria falar com ninguém.
Waldemar conta que, após os telefonemas de Wagner, decidiu aguardá-lo no Brasil mesmo. Sem a ajuda da mulher, e bastante nervoso, ele tentava administrar os contatos com a imprensa e os afazeres em sua mercearia. ''O cansaço físico é grande depois de dois dias sem dormir. Mas eu ficaria até uma semana inteira sem dormir sabendo que vou ter meu filho ao meu lado de novo'', dizia.
A poucas quadras, também no bairro Afonso Pena, a namorada Aleçandra Teodoro, 29, também aguardava aflita por mais notícias. Segundo seus pais, Armindo e Luzia Teodoro, ela estava aflita por notícias e aguardava informações do acidente pegas na internet. Wagner também tem um filho de três anos de seu primeiro casamento.
Segundo Almeida, a Marrari já entregou toda documentação necessária para a liberação de Wagner à Embaixada brasileira no Peru. Ontem, um representante da empresa também viajaria para aquele país, onde permaneceria até que Wagner tivese alta. A expectativa é que ele retorne ainda esta semana ao Brasil.
O outro brasileiro sobrevivente é de Piracicaba (SP). Ele passa bem e está em Lima. O rapaz estava há um mês no Peru a trabalho.


