Paranaense morta no Líbano é enterrada em cerimônia pública
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de janeiro de 2014
Diogo Bercito<br>Folhapress 
Majdal Silem, Líbano - A paranaense Malak Zahwe, morta durante um atentado a bomba na quinta-feira, em Beirute, foi enterrada ontem à tarde no sul do Líbano em uma cerimônia pública da qual participaram líderes políticos e religiosos.
A estudante, que tinha 17 anos, é uma das vítimas recentes de uma onda de ataques terroristas no país, dando conta de que a aparente tranquilidade política dos últimos anos está sendo estilhaçada pelas bombas e pelas disputas sectárias.
Malak estava na região de Haret Hreik, sob influência da milícia xiita Hezbollah, quando um carro-bomba explodiu, deixando ao menos cinco mortos e mais de 60 feridos. Ela provava roupas com sua madrasta, que também morreu.
Nascida em Foz do Iguaçu (Oeste), a garota morava em Beirute há anos. Amigas de infância ouvidas pela reportagem durante o enterro afirmam que ela sonhava em tornar-se uma enfermeira. "Ela tinha muita fé em Deus, todo mundo queria ser amigo dela", disse Karima Jebai, de 17 anos, natural do Paraná e no Líbano a passeio.
Fátima Hijazi, de 18, foi avisada da morte da prima por meio de familiares. Também nascida em Foz do Iguaçu e em Beirute durante uma visita, ela viajou até Majdal Silem, na fronteira com Israel, para o enterro. "Quando alguém da nossa família é vítima de um atentado temos mais medo de que aconteça conosco também."
Abir Hijai, de 17, disse à reportagem que já foi avisada pelos pais de que ela só irá voltar para Beirute quando for a hora de pegar o avião de volta ao Brasil.
Segundo Saad al-Hariri, ex-premiê e importante figura política no país, as vítimas dos atentados recentes são dano colateral "do envolvimento em guerras externas", em referência à participação do Hezbollah no conflito da Síria, ao lado do regime do ditador Bashar Assad.


