Paranaense está entre os mortos dos atentados
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domingo, 14 de março de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O paranaense Sérgio dos Santos Silva, 29, está entre os mortos no atentado ocorrido na última quinta-feira em Madri, na Espanha. Até pela manhã, seu corpo ainda não havia sido reconhecido oficialmente porque faltava o teste de DNA para comprovação. O exame foi feito no final da tarde, depois que amigos enviaram a escova de dentes de Sérgio para o teste. O resultado confirmou a identidade do paranaense.
A investigação da morte de Sérgio constava de uma lista de 22 corpos que deviam ser identificados até ontem. A informação foi passada à Folha, por telefone, pelo amigo José Aparecido Magalhães, que morava com ele em Madri.
A família de Silva mora no município de São Tomé, a 117 quilômetros a Noroeste de Umuarama. Sérgio viajou para Madri em setembro do ano passado para trabalhar na área da construção civil. Foi com o objetivo de juntar dinheiro para construir uma casa para a mulher, Sara, e o filho, Miquéias, de 4 anos, que ficaram em São Tomé.
O amigo disse que não tinha dúvidas de que Sérgio estava entre os mortos no atentado porque ele deveria passar pela estação de Atocha no dia do atentado, 11 de março. Ele saiu de manhã de casa para trabalhar e não chegou ao serviço. Como não retornou para casa no fim do dia, os amigos resolveram sair em busca de Sérgio de hospital em hospital.
Segundo Magalhães, em meio a essa procura foi avisado pela polícia espanhola que a carteira de identidade de Sérgio foi encontrada entre os corpos que estavam mutilados. Antes mesmo do teste de DNA, a polícia admitiu aos amigos do paranaense que os indícios eram muito fortes de que ele era um dos 40 corpos que ficaram irreconhecíveis no atentado.
Magalhães disse que no início teve dificuldades em se comunicar por telefone com a embaixada brasileira em Madri. Só ontem pode ir pessoalmente à embaixada e conseguiu com que os funcionários se envolvessem mais intensamente na busca da identificação do corpo. Há cerca de 20 pessoas de São Tomé trabalhando de forma ilegal em Madri.
Até o atentado de quinta-feira, Sérgio estava trabalhando como operário na construção civil, colocando assoalhos nas casas. Magalhães contou que ele estava muito contente porque tinha conseguido emprego fixo há dois meses. Na manhã de quinta-feira pegou o trem na estação de Guadalupe e iria para Atocha.
Em São Tomé, após um desencontro de informações, a família estava esperando o resultado do teste divulgado no início da noite. De acordo com a sogra, Izabel Lourenço Alves, inicialmente a família foi comunicada da morte de Sérgio e aguardava a chegada de seu corpo para a próxima terça-feira.
Izabel contou que Sérgio foi para a Espanha com o objetivo de conseguir dinheiro para construir uma casa para a família. Em São Tomé, ele trabalhava na Impal, fecularia da cidade, onde o salário não atingia a dois mínimos por mês.


