Cilacap, Indonésia – O paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, 42, foi executado por fuzilamento no início da tarde de ontem na Indonésia (horário de Brasília), na ilha de Nusakambangan. Por meio de nota, o governo federal afirmou que a execução por autoridades indonésias configura um "fato grave" nas relações com o país asiático. "A execução de um segundo cidadão brasileiro na Indonésia, após o fuzilamento de Marco Archer Cardoso Moreira, em 18 de janeiro deste ano, constitui fato grave no âmbito das relações entre os dois países e fortalece a disposição brasileira de levar adiante, nos organismos internacionais de direitos humanos, os esforços pela abolição da pena capital." Segundo o texto, a presidente Dilma Rousseff havia reiterado o pedido de perdão ao brasileiro – condenado por tráfico de drogas. O governo prestou a "devida assistência consular" e "acompanhou sistematicamente sua situação jurídica, na busca de alternativas legais à pena de morte", disse o texto.
Cerca de 300 pessoas, entre jornalistas locais e estrangeiros, e curiosos estavam diante do porto de Wijayapura, que dá acesso à ilha de Nusakambangan. Longe do local de execuções, era o mais próximo a que os jornalistas podiam chegar. A prima de Rodrigo Gularte, Angelita Muxfeldt, e o encarregado de negócios da Embaixada do Brasil em Jacarta, Leonardo Monteiro, estavam na ilha no momento da execução. Eles haviam chegado ao local pouco mais de seis horas antes. Os dois, assim como outros diplomatas e familiares, foram mantidos a cerca de um quilômetro do local de fuzilamento, em uma área de onde é possível, no máximo, ouvir o barulho dos disparos, sem ver a cena. Monteiro, assim que o fuzilamento acabou, foi o responsável por reconhecer o corpo de Gularte. O corpo sairá direto da ilha em um comboio com Leonardo e Angelita rumo a Jacarta, onde ficará em um hospital para iniciar os preparativos para envio ao Brasil. O paranaense, nascido em Foz do Iguaçu, mas que passou boa parte da vida em Curitiba, pediu à família para ser enterrado no Brasil. O pedido foi feito na última segunda à prima Angelita Muxfeldt e fez a família mudar os planos.

CLEMÊNCIA
O governo brasileiro havia protestado, na véspera da execução, mencionando o fato de Gularte ter esquizofrenia constatada por dois laudos médicos, e ter sido morto mesmo assim. A Procuradoria-Geral da Indonésia, que leva adiante as execuções, chegou a examinar o brasileiro, mas o resultado nunca foi divulgado. A argumentação da Indonésia era que o fato de ser doente não impedia a aplicação da pena capital.
A Justiça da Indonésia ignorou recurso protocolado ontem pela defesa de Rodrigo Muxfeldt Gularte. A ação consistia em pedir à Corte Administrativa de Jacarta que fosse revista a decisão do presidente Joko Widodo de negar clemência ao brasileiro. Foi com recurso similar que, na semana passada, a defesa do francês Serge Atlaoui conseguiu adiar a sua execução. Gularte foi condenado à morte por tráfico de drogas em 2005, depois de ter sido preso no ano anterior com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe. A mãe de Gularte, Clarisse, soube da execução em Curitiba, onde estava com familiares. A família preferiu que ela não viajasse para a Indonésia, por medo do seu estado de saúde. A mãe havia visto o filho pela última vez em fevereiro. Gularte foi o segundo brasileiro na história a ter recebido a pena capital em tempos de paz. O primeiro havia sido Marco Archer Cardoso Moreira, 53, pouco mais de três meses atrás; ele foi executado em 18 de janeiro no horário da Indonésia, tarde do dia 17 no Brasil, também por tráfico de drogas.

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