Paraná defenderá políticas para a igualdade racial
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terça-feira, 28 de agosto de 2001
Erika Wandembruck<BR>De Curitiba 
Três paranaenses ligados às questões raciais participarão da Conferência Mundial Contra o Racismo, em Durban, na África Sul, onde estarão presentes representantes de 160 países. A mãe-de-santo, Dalzira Maria Aparecida, do Grupo de Consciência Negra (Grucon) embarcou ontem para aquele País.
A advogada e integrante do Núcleo de Estudos Negros (NEN) da Universidade de Santa Catarina, Dora Lúcia Bertúlio e o advogado defensor de vítimas de preconceito racial pelo S.O.S Racismo, André Luiz Nunes, também representarão o Estado no evento. Um dos principais assuntos a ser debatido por eles diz respeito à promoção de políticas públicas afirmativas que visam a promoção de igualdade entre todos, independente da raça, opção sexual e religiosidade. ''Queremos que sejam disponibilizadas cotas para os negros em universidades, no mercado de trabalho, na mídia'', explicou Dalzira. Além disso, eles reivindicarão durante a conferência que o Brasil reconheça que a marginalização e discriminação a que estão atualmente submetidos os negros são decorrentes da escravidão.
Os paranaenses querem que seja considerado crime toda a discriminação baseada na orientação sexual. Além do desenvolvimento de campanhas de prevenção à violência contra mulheres e crianças.''Vamos criar um Fórum Internacional durante a conferência para garantir os direitos humanos dos marginalizados. Queremos a reparação do Estado pelo extermínio de negros e índios. Queremos que o negro se torne visível e seja aceito na sociedade'', disse Dalzira, enfatizando que é discriminada por ser negra e mãe-de-santo.
Para a socióloga Marcilene Garcia a conferência é importante porque ''os olhos do mundo todo estarão voltados para o problema. Com isso, o País terá que mudar a sua base estrutural por conta da pressão dos movimentos sociais e negros. Terá que desenvolver políticas de igualdade'', afirmou. Vinte por cento da população do Paraná, completou, é negra. No Brasil, são 70 milhões de negros. ''É a segunda maior Nação negra do mundo, perdendo apenas para a Nigéria.'' Marcilene destacou que há projeto tramitando na Câmara Federal, que prevê que 20% das vagas em universidades e para publicidade sejam reservadas aos negros. ''É pouco. Somos 45% da população. Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, no último vestibular, apenas 38 dos aprovados eram negros'', afirmou.


