Paramilitares propõem um cessar-fogo
Ansa
De Bogotá
O chefe máximo dos paramilitares colombianos propôs ontem um cessar-fogo multilateral, declarou sua disposição de encontrar-se com o principal líder da guerrilha esquerdista e se responsabilizou pelo massacre de pelo menos 66 camponeses neste fim de semana.
Carlos Castaño, chefe dos paramilitares ultradireitistas das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), disse à Rádio Net: Estou disposto a dar um refresco e dialogar sobre a paz com Manuel Marulanda Vélez Tirocerto, o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Tem-se que parar a guerra ou o país dessangra, afirmou Castaño, acrescentando que está disposto a reunir-se com Tirocerto em San Vicente del Cagúan, na zona desmilitarizada sob controle guerrilheiro.
Castaño havia assumido antes a responsabilidade pelo massacre de 66 a 100 camponeses, promovido pelas AUC entre a noite de sexta-feira e o domingo em La Gabarra, região agrícola e mineira de Catatumbo, no noreste do país.
Responderei perante Deus e a história pelos crimes cometidos pelas AUC, disse Castaño na entrevista por telefone que concedeu à Rádio Net. Estou cansado da guerra, mas não quero terminá-la equivocadamente.
O chefe das AUC, por outro lado, agradeceu ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, por suas iniciativas pela pacificação da Colômbia e aceitou o convite de um diálogo com ele, sempre que o autorize o presidente colombiano, Andrés Pastrana.
Carlos Castaño voltou a negar que as AUC tenham assassinado o jornalista Jaime Garzón, há duas semanas. Garzón havia dito a colegas uns dias antes do homicídio que as AUC estavam ameaçando-o de morte.
Castaño assumiu, entretanto, ter ordenado o assassinato de Gustavo Marulanda, membro de um comitê estudantil da Universidade Antióquia baleado em 7 de agosto por supostamente ser colaborador de grupos rebeldes. Minha resposta foi ordenar a execução do senhor Gustavo Marulanda, esta ação eu ordenei, disse.
O ministro da Defesa colombiano, Luis Fernando Ramírez, afirmou desconhecer a oferta de cessar-fogo de Castaño, mas considerou que toda proposta neste sentido tem de ser aplaudida.





