AssunçãoMilhares de partidários do ex-general Lino Oviedo, refugiado no Brasil, se concentraram ontem em Assunção para pedir a renúncia do presidente paraguaio, Luis González Macchi, ''por corrupção'', dando-lhe um prazo máximo de 24 horas para abandonar o cargo. Centenas de policiais ocuparam o centro da capital do país enquanto grupos de simpatizantes do Partido União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), liderado por Oviedo, se concentravam na Praça Itália.
Segundo os organizadores, cerca de 10.000 oviedistas estavam reunidos à tarde na praça, de onde partiriam mais tarde rumo ao Congresso.
Os policiais proibiram a circulação nas avenidas próximas ao Congresso e ao Palácio do Governo e advertiram que os manifestantes seriam reprimidos se violassem a ''lei das passeatas'', que o Governo tirou da gaveta no fim de semana e que não era aplicada há mais de três anos.
O comissário Santiago Velazco, porta-voz da Polícia, disse que a Força ''usará os mecanismos que forem necessários para garantir a segurança de terceiros ante qualquer ato de violência'' e reiterou que os opositores só podem se manifestar entre as 19H00 e 24H00 locais.
A Unace pede a renúncia do presidente Luis González Macchi e a liberação de cerca de trinta presos políticos militares e policiais, vários dos quais continuam retidos apesar de uma decisão da Corte Suprema de Justiça.
Os oviedistas exigem, entre outras, coisas que o senador Alejandro Velázquez assuma sua bancada. Sustentam que o oficialismo impede a posse de Velázquez para evitar que seja rompida a maioria que tem na câmara, segundo porta-vozes da oposição.
Em uma nota dirigida ao presidente paraguaio entregue no Palácio do Governo, Guillermo Sánchez, presidente da Unace, exigiu sua renúncia ''em um prazo máximo de 24 horas'' e responsabilizou-o de toda a violência de ''antes, durante e depois'' do protesto.
González Macchi suspendeu uma viagem a La Paz, onde participaria da posse do novo presidente colombiano, Gonzalo Sánchez de Lozada.
O vice-presidente paraguaio, Julio César Franco, que apóia a renúncia, também decidiu não viajar.
UruguaiA central sindical única uruguaia PIT-CNT propôs a realização de uma greve geral hoje no Uruguai, em protesto contra la política econômica do governo, informou à AFP o líder Juan Silveira. ''Seria uma ação contra a aprovação da lei de Estabilidade do Sistema Bancário (que congela depósitos a prazo fixo em dólares nos bancos estatais), e um protesto contra a perda de credibilidade do governo'', afirmou Silveira.
Os bancos vão fechar também amanhã, devido à convocação de uma assembléia geral do sindicato único de trabalhadores bancários, AEBU, para a categoria tomar posição sobre a nova lei aprovada durante o final de semana.
VenezuelaNovas convocações de manifestações populares contra e a favor do governo de Hugo Chávez prevêem uma semana de grande tensão na Venezuela, que espera a decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) sobre os oficiais envolvidos no golpe de Estado de abril.
O máximo tribunal tem até o dia 13 para decidir sobre o processo dos oficiais.

mockup