Amanhã, cerca de 2 milhões de paraguaios vão às urnas para escolher o vice-presidente. O cargo estava vago desde 23 de março do ano passado, quando o vice-presidente Luis María Argaña foi morto a tiros no centro de Assunção.
Concorrem ao cargo Félix Argaña, filho do vice assassinado pelo Partido Colorado, no governo, e Julio César Franco, conhecido como Yoyito, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). O terceiro candidato, Ricardo Buman (Partido Humanista), corre por fora. A divulgação de pesquisas de intenção de voto é proibida a 14 dias do pleito. No entanto, estudos realizados no começo do mês falavam em empate técnico entre Argaña e Yoyito.
Se Yoyito vencer amanhã, será a primeira derrota dos colorados, que controlam o país há 53 anos. Essa eleição é inédita também porque é a primeira vez que presidente e vice não são escolhidos juntos.
Há um sentimento no país de que se a oposição vencer, o vice pode virar um pesadelo para o atual presidente Luis González Macchi. É que, por ter sido eleito, ele pode exigir o cargo de mandatário. Analistas, contudo, acham mais fácil Argaña exigir o cargo, já que pertence a uma família que sempre esteve próxima do poder.
Já o próprio Argaña afirmou que a diferença entre sua proposta de governo e a de Franco ‘‘é , justamente, a de que não reivindicarei a presidência, porque isto não me cabe’’. Pelo contrário, ele garantiu que sua proposta é a de ‘‘dar estabilidade ao governo do presidente Macchi e ao país’’, acrescentando que ‘‘necessitamos viver em paz ... para trabalhar pela recuperação econômica do Paraguai’’.
Macchi, presidente do Congresso, assumiu o poder depois da renúncia do ex-presidente Raúl Cubas, pressionado a sair com a onda de protestos que se seguiu à morte de Luis Argaña. A suspeita de que Cubas e o general da reserva Lino César Oviedo foram os mandantes da morte do vice tumultuaram o país.
Os simpatizantes de Oviedo, no entanto, continuam no Partido Colorado e ainda têm peso político suficiente para levar os dois principais candidatos a trocarem acusações de que o adversário tenta conquistar o voto dos oviedistas.
Argaña negou energicamente esta versão, ao dizer que quer apenas ‘‘o voto dos colorados que não têm as mãos manchadas de sangue nem têm contas pendentes na Justiça’’.
As eleições devem custar ao país cerca de US$ 5 milhões. Vários analistas econômicos questionam se valeria a pena tanto dinheiro investido em um momento de grave crise econômica. Contudo, há um sentimento de que após as eleições a economia volte a reagir.
O Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) garantiu anteontem que haverá transparência nas eleições. O embaixador dos EUA em Assunção, David Greenlee, disse que seu país estará atento. ‘‘As eleições foram bem preparadas e acredito que tudo sairá bem’’, disse.
A Polícia Nacional mobilizará em todo o país cerca de 13 mil policiais – 1.500 em Assunção. Segundo o comandante da Polícia Nacional, general Miguel Angel Rojas, todo o aparato objetiva apenas evitar assaltos e outros atos de delinquência.

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