Paraguaios elegem vice-presidente amanhã
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sexta-feira, 11 de agosto de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Amanhã, cerca de 2 milhões de paraguaios vão às urnas para escolher o vice-presidente. O cargo estava vago desde 23 de março do ano passado, quando o vice-presidente Luis María Argaña foi morto a tiros no centro de Assunção.
Concorrem ao cargo Félix Argaña, filho do vice assassinado pelo Partido Colorado, no governo, e Julio César Franco, conhecido como Yoyito, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). O terceiro candidato, Ricardo Buman (Partido Humanista), corre por fora. A divulgação de pesquisas de intenção de voto é proibida a 14 dias do pleito. No entanto, estudos realizados no começo do mês falavam em empate técnico entre Argaña e Yoyito.
Se Yoyito vencer amanhã, será a primeira derrota dos colorados, que controlam o país há 53 anos. Essa eleição é inédita também porque é a primeira vez que presidente e vice não são escolhidos juntos.
Há um sentimento no país de que se a oposição vencer, o vice pode virar um pesadelo para o atual presidente Luis González Macchi. É que, por ter sido eleito, ele pode exigir o cargo de mandatário. Analistas, contudo, acham mais fácil Argaña exigir o cargo, já que pertence a uma família que sempre esteve próxima do poder.
Já o próprio Argaña afirmou que a diferença entre sua proposta de governo e a de Franco é , justamente, a de que não reivindicarei a presidência, porque isto não me cabe. Pelo contrário, ele garantiu que sua proposta é a de dar estabilidade ao governo do presidente Macchi e ao país, acrescentando que necessitamos viver em paz ... para trabalhar pela recuperação econômica do Paraguai.
Macchi, presidente do Congresso, assumiu o poder depois da renúncia do ex-presidente Raúl Cubas, pressionado a sair com a onda de protestos que se seguiu à morte de Luis Argaña. A suspeita de que Cubas e o general da reserva Lino César Oviedo foram os mandantes da morte do vice tumultuaram o país.
Os simpatizantes de Oviedo, no entanto, continuam no Partido Colorado e ainda têm peso político suficiente para levar os dois principais candidatos a trocarem acusações de que o adversário tenta conquistar o voto dos oviedistas.
Argaña negou energicamente esta versão, ao dizer que quer apenas o voto dos colorados que não têm as mãos manchadas de sangue nem têm contas pendentes na Justiça.
As eleições devem custar ao país cerca de US$ 5 milhões. Vários analistas econômicos questionam se valeria a pena tanto dinheiro investido em um momento de grave crise econômica. Contudo, há um sentimento de que após as eleições a economia volte a reagir.
O Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) garantiu anteontem que haverá transparência nas eleições. O embaixador dos EUA em Assunção, David Greenlee, disse que seu país estará atento. As eleições foram bem preparadas e acredito que tudo sairá bem, disse.
A Polícia Nacional mobilizará em todo o país cerca de 13 mil policiais 1.500 em Assunção. Segundo o comandante da Polícia Nacional, general Miguel Angel Rojas, todo o aparato objetiva apenas evitar assaltos e outros atos de delinquência.


