Paraguaio pede na Justiça prisão de Alfredo Stroessner
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segunda-feira, 11 de setembro de 2000
Agência Estado Do Rio 
O professor paraguaio Martín Almada disse que tentará entrar hoje com um pedido de prisão preventiva na Justiça federal, em Brasília, contra o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, que vive exilado na capital federal desde que deixou o governo de seu país, há 10 anos. Almada foi o responsável pela descoberta no Paraguai, em 1992, dos chamados Arquivos do Terror, que comprovam a existência da Operação Condor sistema de colaboração entre as ditaduras do Cone Sul.
O governo brasileiro está protegendo um criminoso comum que deve pagar pelos crimes que cometeu, e não um perseguido político, afirmou Almada, que acusa o ex-ditador de crime de lesa-humanidade. Segundo ele, durante o governo Stroessner (1954-89), 30 mil pessoas foram mortas ou desapareceram. O ex-ditador também é acusado de ter desviado US$ 5 milhões.
Almada irá se encontrar com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, deputado Marcos Rolim (PT-RS). Os dois tentarão uma audiência hoje com procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, para tentar pressioná-lo a denunciar Stroessner. Há cerca de dois meses, Rolim entregou a Brindeiro uma representação contra o ex-ditador, acompanhada de 18 quilos de documentos referentes a seis processos movidos contra Stroessner na Justiça paraguaia.
Entre os processos, está o de Almada, que moveu ação contra o ex-presidente paraguaio pela morte de sua mulher, Celina Perez, e por sua própria prisão e tortura, em 1974. Apesar de a Justiça já ter declarado a existência de indícios comprobatórios suficientes contra o ex-ditador, a ação está atualmente parada, nas mãos do juiz José González Macchi, que é irmão do atual presidente, Luiz González Macchi, e filho de Saúl González, ex-ministro da Justiça de Stroessner.


