Londrina - A Câmara de Deputados do Paraguai está investigando o cultivo ilegal de terras na faixa de fronteira por agricultores brasileiros. A investigação foi aprovada na sessão de quinta-feira, a pedido do deputado colorado Héctor González, e deverá estar concluída em duas semanas. A lei paraguaia determina que a linha onde estão fixados os marcos divisórios entre os dois países não pode ser ocupada.
Dezenas de agricultores brasileiros, no entanto, desprezam essa determinação. Segundo a imprensa paraguaia, nos 100 quilômetros que separam Capitán Bando de Pedro Juan Caballero, no Estado de Canindeyú que faz fronteira com o Mato Grosso do Sul toda a linha de fronteira é cultivada por brasileiros. Este é apenas um dos trechos apontados.
De acordo com os deputados, toda a linha de fronteira está ocupada por agricultores brasileiros. Por isso, eles vão exigir, assim que concluírem a investigação, que os brasileiros sejam removidos dessa região.
A ocupação da linha de fronteira não é um fato recente. Isso ocorre há décadas, mas nos últimos meses a imprensa paraguaia tem denunciado com mais insistência a ação dos agricultores brasileiros no território do país vizinho. As denúncias coincidiram com algumas ações do presidente da Bolívia, Evo Morales, que ordenou a expulsão dos colonos brasileiros que vivem ilegalmente naquele país e que exploram uma faixa de 50 quilômetros da linha de fronteira.
A imprensa paraguaia tem também criticado com mais ênfase o tratado de Itaipu, exigindo que o presidente Nicanor Duarte Frutos o renegocie em termos mais favoráveis ao Paraguai, a exemplo do que fez Morales em relação às reservas de petróleo e gás.
A ocupação brasileira teve início há meio século, e duas gerações de ''brasiguaios'' como são conhecidos os brasileiros e seus descendentes que moram no Paraguai fixaram raízes profundas naquele país. Nos Estados fronteiriços com o Brasil, como Canindeyú e Alto Paraná, eles chegam a ser maioria em algumas localidades.
O Ministério Público de Salto Del Guayrá, capital de Canindeyú, deverá denunciar nos próximos dias a utilização de cerca de 30 reservas indígenas por agricultores brasileiros. Numa delas, Bajada Guazú, em La Paloma, habitada por avás-guarani, os irmãos Ricardi, agricultores tradicionais da região, são acusados de pagar o equivalente a US$ 60 mensais para arrendar os 600 hectares da reserva, na qual cultivam soja e trigo. O caso está sendo investigado pela promotora Gladys Concepción Vallejos.
O procurador-geral do Estado, Rubén Candia Amarilla, enviou outro promotor para ajudar as investigações. Os irmãos são acusados de terem devastado a área florestal da reserva.

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