Paraguai quer quebrar barreiras agrícolas
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terça-feira, 24 de agosto de 2004
France Presse 
Assunção - O presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, chega amanhã a Brasília para tentar resolver as divergências com o colega Luiz Inácio Lula da Silva sobre o imposto cobrado pelo governo de Brasília pela passagem da soja paraguaia por território brasileiro, em direção aos portos do Atlântico, principalmente o de Paranaguá. A equipe paraguaia será integrada também pelo ministro da Fazenda, Dionisio Borda, e pela ministra das Relações Exteriores, Leila Rachid.
Segundo a vice-ministra do Comércio do Paraguai, Miriam Segovia, os entraves da questão agrícola não se restringem à taxa de 9,6% (do Pis-Cofins) cobrada pelos brasileiros, mas inclui a proibição expressa da passagem por território brasileiro da soja transgênica para os portos de ultramar. ''Há trâmites difíceis relacionados à exportação da soja transgênica para o Brasil, o que torna este processo praticamente impossível ''afirmou.
Além da questão agrícola, Duarte e Lula devem dar início a vários projetos bilaterais, como a construção da segunda ponte internacional entre a Cidade del Este (Paraguai) e Foz do Iguaçu (Brasil), na tríplice fronteira.
Os dois presidentes também devem debater o financiamento de projetos rodoviários paraguaios por parte do Banco de Desenvolvimento Social (BNDES) do Brasil, entre eles, a ponte internacional sobre o rio Paraguai, que vai ligar Porto Murtinho e Carmelo Peralta.
Os empresários paraguaios não escondem a revolta com as barreiras brasileiras às exportações, que atrapalham não só a venda da soja, mas também de hortaliças, feijão, entre outros produtos. ''Se não fosse isto, eles já teriam inventado outro entrave para nos incomodar. Eles nos consideram uma província inimiga'', disse o empresário Guido Michelagnoli, que produz kaa hee, um corante que substitui o açúcar. O Paraguai exporta 60% de sua produção para o Brasil.


