O novo governo do Paraguai iniciou ontem os trâmites judiciais e diplomáticos para tentar extraditar o ex-general golpista Lino Oviedo. Atualmente ele está exilado na Argentina. A estratégia do governo seria a de consolidar seu poder para as próximas eleições presidenciais. Para alguns altos funcionários do novo governo, a extradição de Oviedo é um requisito fundamental para a legitimação eleitoral.
O chanceler Miguel Abdón Saguier, do oposicionista Partido Liberal, segunda força política do país, disse que o país chegou onde está ‘‘graças ao movimento popular que custou a vida de muitos jovens’’. Saguier disse que o novo governo quer fazer justiça. ‘‘O objetivo é recuperar a imagem de estabilidade e segurança tirando o Paraguai da lista dos países de alto risco’’ acrescentou.
Segurança na Argentina Mais de 40 policiais participam do fortíssimo esquema de segurança montado pelo governo argentino para dar proteção ao general da reserva paraguaio Lino Oviedo - pivô da crise que causou a renúncia do presidente paraguaio, Raúl Cubas, no domingo. ‘‘A custódia policial será mantida enquanto o governo entender que existe algum perigo para a sua segurança’’, afirmou o ministro do Interior argentino, Carlos Corach. ‘‘Se considerarmos a situação política do Paraguai hoje, temos de levar em conta que não se pode descartar a hipótese (de um atentado) completamente’’, disse ontem o chefe de polícia federal Pablo Baltazar García.
Oviedo, que deixou seu local de detenção em Assunção minutos antes da renúncia de Cubas e chegou à Argentina num avião particular, recebeu asilo político do governo do presidente Carlos Menem na segunda-feira. Ele está hospedado numa fazenda de um amigo de Menem na Província de Buenos Aires. Opositores argentinos criticam a concessão do asilo.
Acusado de liderar um fracassado golpe de Estado em 1996, Oviedo é apontado como responsável pelo assassinato do vice-presidente paraguaio, Luis María Arga¤a, no dia 23.

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