Paraguai quer ajuda para atacar pirataria
Paraguai quer ajuda para atacar pirataria
Valmir Denardin
Enviado a Assunção
O Brasil deverá ter participação fundamental em um dos principais desafios do novo governo paraguaio, formado por uma aliança de partidos levada ao poder após a renúncia do presidente Raúl Cubas Grau, há uma semana: a tentativa de melhorar a imagem do país.
Em entrevista exclusiva à Folha, o novo ministro de Indústria e Comércio paraguaio, Guillermo Caballero Vargas, anunciou que pedirá ajuda ao governo brasileiro para combater a pirataria de produtos e o contrabando, que invadem o Brasil principalmente pela fronteira entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu.
Segundo dados da Associação Protetora de Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF) - entidade mantida pelas gravadoras brasileiras - 50% dos 30 milhões de CDs piratas vendidos no País em 1998 foram trazidos por sacoleiros que cruzaram a Ponte da Amizade para comprá-los no Paraguai. Para Caballero Vargas, o Paraguai precisa obter um certificado de boa conduta.
O combate à pirataria é a maior reivindicação dos principais empresários de Ciudad del Este, liderados por Charif Hammoud, dono da refinada loja de departamentos Monalisa. Em quase três anos de uma campanha apoiada pelos Estados Unidos, já foram apreendidas mercadorias falsificadas que ultrapassam a cifra de R$ 150 milhões.
Economista e dono de uma empresa de agroexportação, Caballero Vargas tem o respeito e a credibilidade nos meios empresariais e políticos necessários para um projeto de desenvolvimento. Fundou, em 1991, o Partido do Encontro Nacional (PEN) - hoje a terceira maior força política paraguaia.
Caballero Vargas foi um dos principais opositores dos últimos governos do Partido Colorado, marcados por denúncias de corrupção, empreguismo e falta de uma política séria de desenvolvimento. É apontado como um forte candidato da oposição na próxima eleição presidencial, em 2003.
Na última quarta-feira, antes de participar de um ato de parlamentares do PEN em memória dos mortos nos conflitos que culminaram na renúncia de Cubas, Caballero Vargas concedeu a seguinte entrevista:
Folha O senhor é um opositor histórico ao Partido Colorado. Como vê esse governo de coalizão após mais de 50 anos?
Guillermo Caballero Vargas Com grande otimismo. Essa é uma idéia que vínhamos amadurecendo há alguns anos, em decorrência da situação política e social do país, que se agravou de maneira brutal na última semana. O atual governo é o resultado dessa solidária e fraterna eclosão cidadã em defesa da democracia e da liberdade. Com esse acordo político, estamos respondendo ao apelo popular das ruas.
FolhaQual é o seu maior desafio como ministro, num país com economia estagnada e industrialização incipiente?
Caballero Vargas O maior desafio do Paraguai hoje é construir uma credibilidade que nos insira no Mercosul e na comunidade financeira internacional com o certificado de boa conduta que hoje não temos. Precisamos oferecer confiança aos agentes econômicos nacionais e internacionais e aos nossos sócios do Mercosul. A partir daí, poderemos implementar políticas de desenvolvimento.
FolhaO combate á corrupção é a melhor forma de se conseguir essa credibilidade necessária?
Caballero Vargas O primeiro passo foi formar esse governo com homens capazes e de comprovada honestidade. À medida que essa imagem se projeta, o combate à corrupção e à pirataria são consequências lógicas.
Folha Como o senhor pretende combater a venda de produtos falsificados em Ciudad del Este?
Caballero Vargas Com a efetiva colaboração do governo argentino e, principalmente, do brasileiro. Conheço pessoalmente o presidente Fernando Henrique Cardoso. Uma de minhas primeiras missões ao exterior será buscar um estreito relacionamento para o combate à pirataria, o grande contrabando, à corrupção em nossa fronteira comum.





