Paraguai prende oficiais e nega golpe
Associated Press
De Assunção
O governo do presidente Luis González Macchi desmentiu ontem categoricamente uma tentativa de golpe militar no Paraguai. Contudo, confirmou a prisão de 14 oficiais do Exército. Eles estão detidos no Comando da Artilharia de Paraguarí, a 70 quilômetros ao sul de Assunção. Quatro estariam foragidos. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Argaña, filho do vice-presidente Luis María Argaña, assassinado em março, os rumores de golpe são movimentos de um moribundo. Ele se referia ao general da reserva, Lino César Oviedo, atualmente exilado na Argentina.
Argaña negou que os militares estivessem em condições de dar um golpe militar no país. Todavia, reconheceu que existe este desejo nas Forças Armadas. O ministro da Defesa garantiu que o único oficial superior envolvido no episódio foi o major Agustín Brizuela e que os outros seriam oficiais de menor patente.
Ele garantiu que a Justiça militar está analisando o caso, inclusive rumores de que um grupo de militares intencionava sequestrar o presidente Macchi. O presidente Macchi disse que os crescentes problemas sociais e políticos que afligem o Paraguai hoje são obra dos partidários do general Oviedo.
A informação do possível golpe foi divulgada na edição do jornal governista Notícias, de ontem. O jornal envolve o general Oviedo no episódio, além de civis de seu movimento político, a União Nacional de Colorados Éticos. Segundo o Notícias, o golpe também previa a tomada de instituições públicas por parte de civis armados bem como o fechamento das rodovias feito por camponeses. O foco do levante seria o Comando da Artilharia, apoiado por oficiais da Cavalaria, a qual Oviedo pertencia.
Para o ministro Argaña, os oviedistas estão desesperados com a posse do novo presidente da Argentina, Fernando de la Rúa, no dia 10 de dezembro. É que o atual mandatário, Carlos Menem, negou ao governo paraguaio a extradição de Oviedo em setembro passado, medida que De la Rúa promete tomar assim que for empossado.
Analistas garantiram ontem que não existem condições para uma ruptura violenta do regime institucional vigente no Paraguai. O general da reserva Eumelio Bernal, ex-chefe do Estado Maior, disse que a Artilharia não tem condições materiais para um golpe por causa da precariedade de seu armamento. Para Carlos Martini, analista militar, a inquietação de alguns militares é um fato isolado que não oferece condições para uma rebelião. Outros analistas afirmam que a informações sobre o suposto golpe, veiculadas por um jornal ligado ao governo visa desviar a atenção da crescente onda de protestos no país contra o novo governo. Há situações explosivas tanto no campo como nas áreas urbanas.Assunção desmente golpe e ataca influência de Lino Oviedo. Analistas não descartam manipulação da informação pelo próprio governo
France PresseSombra de OviedoLuiz Gonzáles Macchi (c) atribui crise a Oviedo. O ministro Nelson Argaña (destaque) disse que rumores são os movimentos de um moribundo (Oviedo)





