Paraguai escolhe entre Laino e Grau
Os paraguaios votam hoje em eleições gerais. Para presidente, duas opções: o continuísmo colorado ou a opção liberal
José Antônio Pedriali
Enviado a Assunção
Os paraguaios decidem hoje se continuam mais cinco anos sob governo do Partido Colorado, no poder há 54 anos, ou se dão uma guinada de 180 graus no comando e nos rumos políticos de seu país. O Partido Colorado disputa a presidência com Raul Cubas Grau, um engenheiro sem experiência política, e o Partido Liberal Radical Autêntico, coligado ao Partido do Encontro Nacional, social-democrata, concorre com Domingo Laino, político veterano que tenta a presidência pela terceira vez e que iniciou sua carreira durante o governo do general Alfredo Stroessner, cujo regime combateu o que lhe custou a prisão, a tortura e o exílio.
Mais dois candidatos disputam a presidência: Luis Campos, do Partido Revolucionário Febrerista, e Gustavo Bader, do Partido Blanco. Nenhum deles tem a chance de ganhar. Os dois milhões de eleitores - numa população de cinco milhões - elegerão também governadores de Estado, deputados estaduais e federais e senadores.
A campanha eleitoral terminou em clima de cordialidade, cujo último ato foi uma cerimônia ecumênica na Catedral de Assunção, à qual os colorados não compareceram. O presidente Juan Carlos Wasmosy pediu, em rede nacional de rádio e televisão, na noite de sexta-feira, ‘‘a reconciliação e a pacificação dos espíritos’’ já que a campanha eleitoral teve momentos de extrema tensão.
O candidato mais carismático dos colorados, general Lino Oviedo, está preso e teve sua candidatura anulada. Em seu lugar assumiu Cubas Grau, o que desarticulou, num primeiro momento, a máquina partidária colorada. Os colorados conseguiram reagir e neutralizar a franco favoritismo de Domingo Laino, que se aproveitou da divisão e desorientação de seus adversários para ganhar pontos preciosos.
Os dois estão tecnicamente empatados, mas os colorados enfrentam um grande desafio, que poderá lhes custar o poder: o desgaste de sua imagem junto ao eleitor de baixa renda, que constitui a principal força eleitoral do partido.
Mais de meio século no poder não foi suficiente para que o Partido Colorado desse condições dignas de existência à grande maioria da população. Seus líderes, porém, estão entre os homens mais ricos do país. Jose Estevez, comerciante num bairro de Assunção, e casado com uma brasileira de Campo Grande, tem 35 anos desde os 17 é filiado ao Partido Colorado. E diz, que como ele, muitos colorados deveriam votar em Laino. E justifica: ‘‘O Partido Colorado é lindíssimo, mas meus líderes são corruptos. Estão ricos, enquanto nós, cada vez mais pobres. Temos que mudar isso agora porque talvez não tenhamos outra chance’’
Não há pesquisa disponível para comprovar o favoritismo deste ou daquele. Mas o taxista Antonio Menéndez, morador em Lambaré, cidade vizinha de Assunção, é colorado e comenta: ‘‘Onde moro, antes só havia colorados; agora somos minoria. Confesso, estou com medo, muito medo’’

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