Paraguai discute projeto que legaliza aborto
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terça-feira, 04 de maio de 2004
France Presse 
Montevidéu - O Senado retomou ontem o debate que tende a sepultar um projeto para descriminalizar o aborto no Uruguai - um país onde são realizadas 35 mil intervenções clandestinas por ano.
A ''Universidade da Paz'', da Unesco, entregou à comissão de Saúde do Senado um estudo sobre abortos no Uruguai, segundo a qual se realizam 35.000 práticas ilegais por ano, contra 55.000 nascimentos.
Os abortos ilegais, que atingem todos os níveis sociais e ampla faixa etária (de 12 a 45 anos), acarretam ''mortes e mutilações do aparelho reprodutivo, que tornam inférteis muitas mulheres, por infecções simples ou graves'', disse o senador Alberto Cid (Encontro Progressista Frente Ampla, esquerda) à AFP.
Anunciou-se que não haverá votos para aprovar a proposta na Câmara Alta. Além disso, mesmo se a lei for sancionada, o presidente Jorge Batlle garantiu reiteradamente que usaria seu direito para vetá-la e que não há votos suficientes para suspender o veto.
O governista Partido Colorado (centro-direita), que conta com 11 de um total de 31 votos, está dividido sobre o texto, assim como os 13 senadores da oposicionista Frente Ampla (esquerda), enquanto os sete senadores do Partido Nacional votarão contra o projeto.


