Assunção O presidente Nicanor Duarte apóia o julgamento político dos ministros da Suprema Corte de Justiça ''para limpar o quanto antes a imagem do Paraguai'', afirmou o porta-voz José Duarte ontem. ''Se a Corte não se renovar, não vamos poder avançar no processo de reforma e institucionalização do país'', disse Duarte, que anunciou que o pedido de acusação será apresentado à Câmara dos Deputados na quinta-feira.
O presidente chegou a um consenso com os líderes da oposição, com quem ficou reunido durante todo o fim de semana, apesar do pessimismo reinante desde que os membros da Corte comunicaram que não renunciarão a seus cargos. ''Hoje temos consenso para iniciar o julgamento político. No momento, são cinco nomes, fruto de intensas negociações no fim de semana com os líderes opositores Julio César Franco, Pedro Fadul e Carlos Filizzola'', disse Duarte.
Os ministros da Corte entre eles o titular da instância máxima do judiciário, Bonifacio Ríos serão acusados por diversos atos de corrupção. O objetivo do presidente Duarte é devolver a confiança ao sistema de legalidade e fortalecer o Estado de Direito, ''tão deteriorados nos últimos anos (do governo González Macchi 1999/2003)''.
Para o governo ''é fundamental o ingresso de investimentos para alavancar a economia nacional. E os investidores não querem vir devido à desconfiança que ronda o Poder Judiciário. Esta é uma cruzada que esperamos que dê frutos muito
em breve'', disse.
Os nove ministros da Corte enfatizaram em um comunicado que não renunciarão, e reiteraram sua ''vontade indeclinável de defender a independência do Poder Judiciário''. Os ministros pedem que a opinião pública não se confunda ''com as informações interesseiras e contraditórias'' dadas pelos políticos, e criticaram a ''intromissão'' do Executivo em outro poder do Estado.
O presidente Duarte prometeu renovar a Corte antes do fim do ano e deu uma declaração muito discutida: ''Vou pulverizar a Corte''. O Paraguai é o país mais corrupto da América do Sul, e o quarto no mundo, segundo pesquisa recentemente divulgada pela organização Transparência Internacional.
O porta-voz governamental afirmou que os membros da Corte passíveis de julgamento político tentam chantagear o Poder Executivo, relembrando casos de acusações contra o presidente Duarte quando ele estava à frente do ministério da Educação. O Tribunal de Contas, dominado pela Corte, pediu na semana passada ao procurador-geral da República que forneça os antecedentes da gestão de Duarte como ministro há alguns anos.
Carlos Filizzola, senador e líder do partido País Solidário (socialista), também denunciou que repentinamente o Tribunal de Contas reabriu uma investigação arquivada há anos por sua gestão à frente da prefeitura de Assunção entre 1991 e 1996.
A imprensa local divulgou uma versão segundo a qual a Corte ameaça o governo com a possibilidade de revisar o Caso Lino Oviedo, líder do partido União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), refugiado no Brasil. Oviedo foi condenado a 10 anos de prisão por uma corte marcial formada por seu inimigo, o ex-presidente Juan Carlos Wasmosy (1993/98), apoiada pela Suprema Corte numa decisão discutida, que afastou Oviedo da corrida presidencial de 1998.

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