O presidente do Paraguai, Luis González Macchi, ordenou ontem uma investigação para apurar responsabilidades em relação à suposta venda de armas do Ministério da Defesa paraguaio a narcotraficantes do Rio de Janeiro, assunto revelado domingo pelo jornal ‘‘O Globo’’, do Rio de Janeiro.
‘‘Disse ao ministro da Defesa, Nelson Argaña, que aprofunde as investigações sobre o caso. Dei-lhe instruções pessoalmente. Vamos conhecer alguns detalhes nas próximas horas’’, disse o presidente em breve entrevista à imprensa.
Já as forças armadas paraguaias emitiram um comunicado no qual anunciam que ‘‘solicitarão às autoridades os números das armas apreendidas no Brasil para comprovar se realmente coincidem’’ com as que foram compradas pelo Ministério da Defesa paraguaio.
Segundo a nota, as armas compradas dia 15 de abril de 1996 foram ‘‘300 unidades (da marca) Taurus’’ e que ‘‘a partida passou pela aduana do aeroporto Silvio Petirossi (de Assunção) dia 24 de junho de 1996’’, ficando armazenadas no paiol da Armada Paraguaia.
Segundo a denúncia do jornal brasileiro, a polícia federal descobriu em poder de traficantes do Rio de Janeiro 105 pistolas Taurus 9 mm que o Governo do Brasil vendeu ao Ministério da Defesa do Paraguai em 1996 durante o governo do ex-presidente Juan Carlos Wasmosy (1993/98).
A polícia brasileira quer saber se essas armas chegaram ou não ao destinatário paraguaio.
As armas descobertas em poder dos traficantes no Rio tinham sido enviadas da fronteira paraguaia por Fernandinho Beira Mar, refugiado em território paraguaio, segundo as suspeitas.
As armas foram apreendidas junto com 12,6 toneladas de maconha.

mockup