Jerusalém - As ameaças do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon de eliminar o líder palestino Yasser Arafat provocaram uma onda de protestos no mundo, inclusive em Washington, mas foram bem recebidas por seu partido, o Likud, antes do referendo interno de 2 de maio sobre seu plano de retirada de Gaza.
Na Cisjordânia, o exército israelense matou três membros das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, um grupo armado vinculado ao Fatah de Arafat, no marco de uma série de operações que custaram a vida de 26 palestinos em quatro dias.
O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, lembrou que o presidente George W. Bush se opõe a qualquer ataque contra Arafat, mencionando o ''compromisso'' de Sharon de não atentar contra o líder palestino.
''O presidente disse claramente que se oporia a qualquer ataque contra Arafat, pois acredita firmemente que obteve o compromisso do primeiro-ministro Ariel Sharon de que não haveria nenhum ataque'', declarou Powell na sexta-feira.
A conselheira de Bush para Segurança Nacional, Condoleezza Rice, lembrou por sua parte a Israel que os Estados Unidos se opõem a qualquer ataque contra Arafat, em uma conversação telefônica com Dov Weisglass, o chefe de gabinete de Sharon, segundo a rádio israelense.
A ministra francesa de Defesa, Michele Alliot Marie, também condenou ontem as palavras de Sharon, ao estimar que ''não serão as mortes de pessoas, sejam em assassinatos ou atentados, que vão solucionar o problema'' no Oriente Médio.
''Há três anos prometi ao presidente Bush não atentar contra Arafat, mas já não me sinto preso a essa promessa e este homem (Arafat) já não dispõe de imunidade'', afirmou Sharon na véspera.
O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qorei, fez ontem um apelo à comunidade internacional para que proteja a vida do presidente da Autoridade Palestina. ''Todo possível ato de loucura pode levar a região ao abismo e provocar o afundamento definitivo dos esforços de paz'', advertiu.
Por sua parte, Arafat voltou a prometer ontem ''um milhão de mártires (palestinos) para Jerusalém'', em uma manifestação de apoio em Ramallah (Cisjordânia), segundo um correspondente da AFP.
''Quero dizer a Sharon e a seu bando que o vento não moverá a montanha'', acrescentou ante cerca de 200 escolares.
Enquanto isso, em Israel o ministro da Agricultura, Israel Katz, do Likud, expressou sua satisfação pelas ameaças de Sharon.
''Não teria de hesitar em executar esta ameaça em caso de novo atentado palestino'', declarou Katz, um dos radicais contrários ao plano Sharon de retirada da Faixa de Gaza.
Os comentaristas políticos da emissora de rádio estatal estimam que o primeiro objetivo da ameaça de Sharon é reforçar o apoio ao plano dentro de seu partido, dando garantias à ala mais extremista antes do referendo.
Um dirigente israelense, que pediu o anonimato, disse à AFP que na verdade ''não é uma ameaça de morte propriamente dita''.
''Arafat é que tem de arcar com as consequências de seu apoio ao terrorismo'', acrescentou, sem precisar quais deveriam ser essas consequências.

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