O pó branco encontrado no avião da companhia Lufthansa, no Rio de Janeiro, no último domingo, não apresentou bactérias que poderiam causar doenças graves, descartando completamente a possibilidade de ter alguma relação com a bactéria do antraz. A informação foi passada ontem pelo presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Marchiori Buss, que abriu à noite, em Londrina, o 4º Congresso Nacional da Rede Unida. Anteontem, o Ministério da Saúde já havia adiantado que o material não continha o antraz, mas os testes finais só ficaram prontos ontem à tarde. ''O pó encontrado é muito mais denso, não dissolve em água. É um tipo de talco'', explica Buss.
Paulo Buss diz que o antraz não é uma ameaça ao Brasil e que a bactéria existe há muito tempo na natureza. Não existem relatos da doença no País há mais de 20 anos, ressalta. ''Além disso, o Brasil não está na linha de tiro do terrorismo'', acredita o presidente da Fiocruz.
Na opinião de Paulo Buss, a intenção dos terroristas com o envio de correspondências contendo a bactéria que causa o antraz é muito mais alarmar a população. Por isso as cartas teriam sido enviadas primeiramente a veículos de comunicação.
''O antraz é uma péssima arma biológica'', afirma o pesquisador. Paulo Buss diz que se a intenção dos terroristas fosse causar mortes, outras armas biológicas mais poderosas seriam usadas - mas ele preferiu não comentar quais.

mockup