O subcomandante Marcos, líder militar da guerrilha indígena zapatista, afirmou que a paz está mais próxima e a guerra mais longe, durante um ato na comunidade indígena de Oventic, nas montanhas de Chiapas, domingo à noite. ‘‘A paz não chegou, é certo, mas pode chegar e é dessa possibilidade que temos de cuidar’’, disse Marcos a milhares de simpatizantes e milicianos zapatistas desta comunidade que ofereceram uma ardorosa recepção aos 24 comandantes depois de sua marcha pelo México.
Em seu primeiro discurso no Aguascalientes (centro político e cultural) de Oventic, reconheceu que, ‘‘segundo vemos hoje, a guerra está um pouco mais longe e a paz, com justiça e dignidade está um pouco mais próxima. Hoje está mais perto o diálogo e mais longe o confronto’’.
O encapuzado do cachimbo fez um apelo a todos os que têm em Chiapas (sul) ‘‘céu e vida, para que sejam responsáveis e não provoquem atos que possam provocar novos confrontos’’.
Marcos assinalou que a delegação zapatista prepara um relatório sobre o acontecido nas últimas semanas que será submetido à avaliação dos indígenas.
Com Marcos à frente, os líderes do Exército Zapatistas de Libertação Nacional (EZLN) marcharam à Cidade do México e no Congresso Nacional reclamaram semana passada a aprovação de uma lei de proteção aos direitos das comunidades indígenas.
‘‘Quem faz as leis terá agora que ouvir as milhões de pessoas que nos apóiam e junto com elas terá que abrir a porta do diálogo, isto é, da paz’’, frisou Marcos ao ler sua mensagem que foi traduzida para o tzotzil pelo comandante Guillermo.
Marcos foi ovacionado quando disse que ‘‘agora dizer indígena já será dizer digno. Nunca mais nossa cor será motivo de vergonha’’.

mockup