France PresseNo túnelO presidente Alberto Fujimori passa por um dos 5 túneis cavados sob a residência do Embaixador e que serviram para a invasão e resgate dos refénsO presidente do Peru, Alberto Fujimori, reconheceu na televisão japonesa NHK que houve divergências de opinião entre seu país e o Japão sobre a crise dos reféns em Lima e afirmou em outra entrevista à televisão mexicana que ‘‘não se pode negociar com terroristas’’.
A crise dos reféns, que durou 126 dias, terminou na última terça-feira, quando tropas peruanas assaltaram a residência do embaixador japonês em Lima, resgatando com vida 71 dos 72 reféns. Os 14 membros do comando do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) morreram na operação, assim como dois soldados.
Embora Fujimori tivesse sugerido, por diversas vezes, que poderia recorrer à força para libertar os cativos, o governo japonês pediu reiteradamente que o Peru buscasse uma solução pacífica.
Em uma entrevista via satélite para o telejornal mexicano 24 Horas, do consórcio Televisa, Fujimori ofereceu ‘‘a quem necessitar’’ tecnologia anti-sequestros ‘‘puramente peruana’’, afirmando que a operação de resgate da última terça-feira ‘‘foi planejada, modéstia à parte, somente por nós’’.
O mandatário se jactou do ‘‘know-how’’ (tecnologia aplicada) peruana em matéria de luta contra rebeldes e, contradizendo suas próprias declarações iniciais de que havia esgotado todos os caminhos do diálogo com o comando do MRTA, declarou categoricamente que ‘‘com o terrorismo não se pode negociar. Para quê?’’
Afirmou que no último domingo, seu governo estimou que as medidas pacíficas estavam esgotadas e ‘‘por isso tomamos a decisão’’. Entretanto, momentos depois foi enfático ao declarar que ‘‘com o terrorismo não se pode negociar’’ e pediu à comunidade internacional que ‘‘siga nosso exemplo’’.
Ao ser perguntado se a crise dos reféns foi o maior desafio em seus quase sete anos de governo, um orgulhoso Fujimori respondeu à televisão mexicana: ‘‘Bom, se não tenho desafios, me sinto entediado...’’.
Uma pesquisa de opinião publicada pela imprensa nipônica ontem mostra que 81% dos japoneses aprovaram a decisão do mandatário peruano de ordenar que as tropas invadissem a residência do embaixador, enquanto 10% desaprovaram. Nove por cento não responderam.
Em suas declarações feitas sexta-feira ao canal nipônico NHK e transmitidas ontem, Fujimori defendeu sua decisão de manter o Japão na ignorância sobre o iminente ataque, afirmando que ‘‘isso era parte das atividades de inteligência. Um governo deve possuir esses mecanismos’’.
O presidente peruano disse que ele planejou pessoalmente a operação para acabar com a crise dos reféns, incluindo a construção de túneis, através dos quais entraram os soldados.
Uma emissora de televisão de Lima informou sexta-feira que Fujimori percorreu o túnel principal muito antes de dar a ordem de ataque.

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