Para chancelaria, veto a web protege população
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Fabiano Maisonnave <br> Folhapress 
Pequim, China - Em uma rara entrevista de um membro do governo chinês sobre temas considerados sensíveis, um alto funcionário da chancelaria disse que a maioria da população não se interessa pelo advogado cego Chen Guangcheng. Ele também justificou o bloqueio do Facebook e do Twitter e detalhou por que a correspondente do canal Al Jazeera foi expulsa do país.
Em encontro com um grupo de jornalistas latino-americanos ontem, Ma Jisheng, vice-diretor-geral do Departamento de Informação do Ministério das Relações Estrangeiras, disse que Chen, que fugiu de uma prisão domiciliar e provocou momentos de tensão com os EUA, não chama a atenção da maioria do público chinês.
''Nem ao menos posso dar uma explicação que dure mais de um minuto, porque não o conheço e tampouco me interessa'', disse Ma. ''Para nós, a censura não tem sentido, é a população que não tem interesse no tema.''
O caso Chen, que ficou 19 meses em prisão domiciliar sem nenhuma medida judicial, só passou a ser amplamente noticiado na China após se tornar um imbróglio internacional.
Sobre as redes sociais bloqueadas na China, Ma afirmou que isso não é medida para medir liberdade de expressão e que a internet chinesa dispõe de outros mecanismos com a mesma função. ''Mais de 400 milhões de internautas chineses realizam todo tipo de contato sem Facebook (...) Os meios de comunicação ocidentais têm essa fórmula de igualar Facebook e Twitter com liberdade. O que propomos é que, sem Facebook, também podemos gozar de liberdade.''
Ele enumerou vários motivos para controlar a internet: evitar incentivo a conflitos étnicos, jogos on-line e até poligamia: ''Muita gente oculta seu estado civil para se casar com até dez mulheres''.
Sobre o caso recente da correspondente da Al Jazeera, a norte-americana Melissa Chan, disse que ela não respeitou várias vezes regras para jornalistas estrangeiros, como portar identificação.


