Para Bush, Taleban era grupo de rock
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quarta-feira, 19 de setembro de 2001
France Presse <br> De Washington 
Os americanos, mergulhados em um mundo desconhecido no qual descobriram de repente a hostilidade, tentam decifrar as chaves na imprensa, nas livrarias, nos sites da Internet e nas escolas. Taleban, Afeganistão, Paquistão, Bin Laden: países e nomes ignorados pela maior parte dos americanos, antes dos sangrentos atentados sem precedentes ao World Trade Center e ao Pentágono, no dia 11 de setembro, se converteram a partir de agora em temas quase comuns e correntes de conversação.
O presidente George W. Bush foi o primeiro a se atualizar: ao ser entrevistado durante a campanha eleitoral, ano passado, ele achava que os talebans eram um grupo de rock e não soube responder quem era o presidente do Paquistão.
Agora os mapas do Afeganistão, Paquistão e o retrato do inimigo público, suspeito número um dos Estados Unidos, Osama bin Laden, que teria supostamente comandado os atentados de 11 de setembro que deixaram cerca de 6.000 vítimas, inundam as páginas dos jornais e dos computadores. Os canais de televisão tiram de seus arquivos, na falta de imagens recentes, documentários velhos alguns feitos há vários anos sobre o multimilionário de origem saudita Bin Laden, a quem o governo americano quer ''vivo ou morto''.
As vendas de livros e de mapas do Afeganistão e sobre o terrorismo aumentaram surpreendentemente. Assim também a obra ''Germs: America's Secret War Against Biological Weapons'' (A guerra secreta dos Estados Unidos contra as armas biológicas), ainda não disponível, encabeça a lista de pedidos, segundo o site Amazon.com.
''The New Jackals: Ramzi Yousef, Osama bin Laden and the Future of Terrorism'' (Os novos chacais: Ramzi Yousef, Osama bin Laden e o futuro do terrorismo), de Simon Reeve, se acha também bem colocado entre os pedidos do site Amazon.com. Uma livraria de Washington informou, por outro lado, ter vendido todos seus mapas do Afeganistão.
Apesar do trauma provocado na opinião pública pelos ataques, Manny Paraschos, professor de jornalismo no Emerson College de Boston, estimou, por sua vez, que a cobertura dos acontecimentos na imprensa escrita foi relativamente equilibrada. ''Me surpreendeu a quantidade de editoriais e artigos, nos grandes jornais da costa leste, mas também nos jornais locais, que se indagavam 'por que nos odeiam?''', disse o professor.
''Os acontecimentos despertaram as pessoas'', assinalou, por sua vez, Robert Goldman, professor de direito internacional da American University de Washington. ''Certamente isso vai mudar a percepção que têm os americanos de uma parte do mundo da qual ignoram tudo e mudará também sua maneira de ver as relações internacionais'', disse.


