Washington A captura de Saddam Hussein mudou a equação no Iraque, destacou ontem o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, durante uma entrevista coletiva à imprensa, na Casa Branca. O presidente George W. Bush também afirmou que o ato de ''trabalhar juntos'' para reconstruir o devastado Iraque é de interesse dos Estados Unidos, da França e da Alemanha.
Ouvido durante a entrevista sobre o desejo de os Estados Unidos de ampliar a coalizão que comanda a ocupação do Iraque, respondeu: ''Sejamos claros, vocês querem falar da França e da Alemanha''. ''Trabalhamos com eles numa série de questões'', prosseguiu Bush, apesar de ''divergências sobre a questão de Saddam Hussein e sobre a ameaça que representa''.
Seguem os principais pontos da entrevista:
IRAQUE E CAPTURA DE SADDAM HUSSEIN A detenção do ex-ditador ''mudou a equação no Iraque''. ''Bons ventos o levem!'';''o mundo é melhor sem o senhor, Saddam Hussein'', afirmou com um sorriso de satisfação. ''Os inimigos de um Iraque livre perderam seu líder. Perderam todas as esperanças de retornarem ao poder''.
Segundo Bush, ''os cidadãos iraquianos perderam um motivo de medo'' e ''o Iraque está no caminho da liberdade''. ''O pesadelo da tirania do Baath (o partido de Saddam Hussein) acabou finalmente''. Mas, prosseguiu, ''os terroristas no Iraque são perigosos. O trabalho da coalizão é difícil e exigirá novos sacrifícios''.
Em relação ao julgamento de Saddam Hussein, afirmou que os Estados Unidos ''trabalharão com os iraquianos para encontrar um meio de julgá-lo''; precisou que o processo respeitará as normas internacionais. ''Os iraquianos devem estar envolvidos, é necessário um julgamento público e estou confiante no fato de que será realizado de maneira justa''.
RELAÇÕES COM A FRANÇA E A ALEMANHA ''Queremos trabalhar com eles sobre toda uma série de questões'', declarou o presidente americano, reconhecendo que os Estados Unidos tiveram com esses dois países ''divergências sobre Saddam Hussein e a ameaça que ele representava''.
Acrescentou que os Estados Unidos ''estendiam-lhes agora a mão''. Sobre sua oposição à participação de empresas dos países opostos à guerra na reconstrução do Iraque ele declarou: ''A idéia de gastar dinheiro do contribuinte concedendo contratos a empresas que não participaram do impulso inicial é uma coisa que não posso decidir''. ''Isto não quer dizer que não haja outros meios de participar''.
CORÉIA DO NORTE O presidente Bush felicitou-se com os ''progressos'' efetuados no dossiê norte-coreano, destacando que os Estados Unidos estavam envolvidos num processo diplomático para convencer Pyongyang a abandonar seu programa nuclear.
ECONOMIA E DÓLAR O governo americano continuará a realizar uma ''política favorável ao crescimento''. ''A economia americana cresce a um ritmo firme e começa a gerar empregos'', destacou.
Voltou a apoiar a política de um dólar forte, enquanto que o bilhete verde não pára de se desvalorizar nos mercados: ''Temos no governo uma política de dólar forte que, na nossa opinião, é boa para a vitalidade econômica do país.
Mas, repetiu, ''os mercados devem fixar o valor do dólar''.

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