O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, afirmou ontem que os israelenses ‘‘realizam uma guerra contra o povo palestino’’, pouco antes de partir de Alexandria (Norte do Egito), onde se reuniu com o Presidente egípcio, Hosni Mubarak. Em uma entrevista à imprensa, Arafat reagiu com dureza às represálias israelenses adotadas após o duplo atentado suicida de quarta-feira em Jerusalém (15 mortos, entre eles dois camicases palestinos, e mais de 100 feridos).
Depois de lembrar que condena ‘‘totalmente a operação terrorista’’ perpetrada contra o grande mercado judaico de Jerusalém Ocidental, Arafat estimou que Israel ‘‘explorou a situação para fazer guerra contra o povo e a direção palestinos, em vez de levá-la a cabo contra o terrorismo’’.
As medidas adotadas pelos israelenses ‘‘constituem medidas punitivas coletivas contra o povo palestino devido a uma operação cujos autores, e eles mesmos afirmaram, procedem do exterior’’, disse o líder palestino.
Fontes israelense haviam especulado sobre a possibilidade de os autores do atentado terem vindo do exterior, mas acabaram descartando esta hipótese.
Depois do duplo atentado em Jerusalém, o Estado hebreu suspendeu as negociações de paz com a Autoridade Palestina, realizou dezenas de detenções e adotou uma série de represálias contra os palestinos.
Dificuldades O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, enfrenta duros problemas das represálias de Israel, após o duplo atentado suicida em Jerusalém, e a demissão de seu gabinete, acusado de corrupção.
Arafat viajou a Alexandria (Egito) para encontrar-se com o Presidente egípcio, Hosni Mubarak, com quem discutiu o processo de paz, retornando ontem mesmo para Gaza. Enquanto isso, o Presidente norte-americano, Bill Clinton, anunciava que seu coordenador para o Oriente Médio, Dennis Ross, viajará à região ‘‘quando terminar o período de luto’’ judaico de sete dias, depois do duplo atentado de quarta-feira.
O Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, responsabilizou pelo atentado o próprio Arafat, acusando-o de não ser severo no combate aos integristas armados. Além disso, em represália, decretou a continuação do fechamento da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, adiou por tempo indeterminado a retomada prevista das negociações com os palestinos e deu carta branca às unidades especiais do exército para intervirem nos setores palestinos autônomos.
Dezenas de palestinos nas regiões sob controle israelense na Cisjordânia foram detidos e expediu-se um mandado de prisão contra o chefe da polícia palestina, Ghazi Jabali, acusado de ter incentivado atentados contra colonos judeus.
Israel suspendeu suas transferências de recursos para a Autoridade Palestina (taxas e direitos alfandegários aplicados aos produtos destinados aos territórios autônomos), o que causou indignação em Maruan Kanafani, porta-voz de Arafat.

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