O governador do Texas, George W. Bush, saiu-se melhor no segundo debate com seu rival democrata na disputa pela Casa Branca, o vice-presidente Albert Gore, na noite de quarta-feira, de acordo com as sondagens de opinião e a maioria dos analistas.
A experiência do primeiro debate, o agravamento da crise no Oriente Médio e a disparidade dos números dificultavam, ontem, as avaliações do impacto do evento sobre a escolha que os americanos farão em pouco mais de três semanas. Dois grupos diferentes de pouco mais de quinhentos eleitores cada, ouvidos pela CNN e pela NCB, deram a vitória a Bush por margens que variaram entre 3% e 13%, respectivamente. No dia do debate, a pesquisa diária Reuters/Zogby colocava Bush e Gore empatados, com 43% das preferências cada um.
O recrudescimento das hostilidade na Cisjordânia e em Gaza e o atentando terrorista contra um navio americano no Iêmen, mantiveram a política externa no topo das preocupações dos dois candidatos, um dia depois de eles terem discutido vários aspectos do tema durante mais de 40 dos 90 minutos do debate. Bush ganhou pontos nessa discussão, demonstrando sua capacidade para tratar do assunto sem cometer gafes, da qual muitos americanos desconfiavam. Nesse sentido, ele pode ter tranquilizado eleitores que pendiam para sua candidatura mas continuavam indecisos por causa da reputação de despreparo nessa área, muito embora tenha apresentado uma visão de política externa menos ambiciosa e abrangente do que Gore. ‘‘Não podemos ser tudo para todos’’, disse Bush.
Bush e Gore reiteraram ontem seu apoio a Israel e ecoaram a posição oficial de Washington, pedindo a Yasser Arafat para agir e conter a rebelião popular contra as forças israelenses em Gaza e na Cisjordânia, que já matou mais de uma centena de pessoas em duas semanas, a maioria delas de palestinos. Os dois candidatos disseram também que os EUA devem identificar e punir os responsáveis pelo atentado contra o destróier Cole, ocorrido por porto de Aden, Iêmen, durante uma parada para reabastecimento.
Gore adotou um estilo mais suave e contido. Contribuiu, assim, para transformar o debate numa conversa extremamente polida. Mas marcou pontos no terço final do evento ao chamar atenção para o atraso do Texas de Bush em relação ao resto do país em áreas como o meio ambiente e políticas de seguro médico. Com declarações calculadas para atingir os eleitores independentes e indecisos, o vice presidente contrastou suas posições com as de Bush em relação a outros temas domésticos, como os direitos de homossexuais e o controle de armas de fogo.
Com seus assessores já em ação para explorar os erros de informação que Bush cometeu na noite de quarta-feira, Gore disse ontem que as avaliações iniciais sobre o vencedor do debate são de pouca utilidade, lembrando que a vitória que as sondagens e os analistas lhe deram nas horas seguintes à sua primeira discussão com Bush, na semana passada, não impediram o rival de avançar e empatar novamente a disputa.