Ariel Palacios
Agência Estado
De Buenos Aires
Desde o começo do ano o partido do governo, o Justicialista (mais conhecido por peronista), venceu as eleições para governador em 11 províncias, enquanto a coalizão de oposição, a Aliança UCR-Frepaso, ganhou somente em 4. As eleições provinciais na Argentina não ocorrem, obrigatoriamente, ao mesmo tempo que as eleições presidenciais, que se realizarão no dia 24. Esse fato, teoricamente, proporcionaria nos meses anteriores um termômetro político dos sentimentos dos eleitores em relação à intenção de voto para presidente. Em qualquer outro país essa seria a dedução lógica. Mas não funciona na Argentina: muitos dos eleitores que votaram nos candidatos provinciais peronistas nos últimos meses e semanas votarão em poucos dias no candidato da Aliança, Fernando De la Rúa, o favorito nas pesquisas, que tem mais de 15% de diferença sobre o candidato peronista, Eduardo Duhalde. Dessa forma, o próximo governo teria um interior dominado pelos peronistas, mas um presidente da Aliança.
Nessas 15 eleições que lhe permitiram ficar com 11 províncias (Córdoba, Salta, Santa Cruz, Tucumán, Tierra del Fuego, Santa Fé, Santiago del Estero, La Rioja, Misiones, San Luis e Formosa), os peronistas conseguiram 3,23 milhões de votos, o equivalente a 56,9% do total. A Aliança, (que venceu em Catamarca, San Juan, Río Negro e Chaco) conseguiu 2,44 milhões de votos, o equivalente a 43,1%. Na província de Neuquén venceu o Movimento Popular Neuquino (MPN), um partido provincial.
Ainda restam eleições nas províncias de Buenos Aires, Entre Ríos, La Pampa, Chubut, Jujuy e Mendoza, que ocorrerão com as eleições presidenciais. Em metade delas, segundo pesquisas, a eleição para governadores será favorável ao peronismo, fato que preocupa De la Rúa que, se vencer, terá de conviver com uma maioria de governadores opositores até 2003. Eles dominam o interior de forma quase feudal e são imprescindíveis para governar o país.
O analista político Rosendo Fraga disse à Agência Estado que, pelo fato de as eleições provinciais terem sido separadas das eleições presidenciais, ‘‘o voto – cada vez mais independente e menos cativo, apesar da política clientelista que persiste no interior do país –, tem a possibilidade de expressar-se de forma diferenciada’’. Na Argentina, o voto é vinculado. O voto provincial antecipado é uma maneira de votar de forma não vinculada.

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