Para 61%, ciberataques vão afetar eleições
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
Bruno Benevides <br> Folhapress 
São Paulo - A cada cinco pessoas no mundo, três acreditam que ciberataques podem manipular as eleições em seus países em um futuro próximo - e os brasileiros são os que menos confiam na capacidade de seu governo de conter essas ameaças.
Os números fazem parte de uma nova pesquisa divulgada nesta quarta (9) pelo Pew Research Center, instituição com sede em Washington. O levantamento, feito entre maio e agosto de 2018, entrevistou mais de 27 mil pessoas em 26 países, entre eles o Brasil.
Diversos líderes mundiais - como os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Jair Bolsonaro - questionaram a segurança dos sistemas eleitorais de seus países, em especial a possibilidade de urnas eletrônicas serem manipuladas.
Para especialistas, porém, a chance de isso acontecer é baixa. CEO de uma das principais empresas de cibersegurança do planeta, a FireEye, Kevin Mandia disse à Folha em outubro que esse é um limite que dificilmente será cruzado.
A pesquisa mostra que os brasileiros, ao lado dos argentinos, são os que menos confiam no seu governo para enfrentar as ameaças virtuais. Para 78% dos entrevistados no País, o poder público não está preparado para a questão (no vizinho, a taxa é de 81%) e apenas 16% acham que está (9% na Argentina).
Na média mundial, 47% confiam no governo e o mesmo número desconfia, sendo que russos (67%) e israelenses (73%) são os que mais têm a confiança da população para resolver a questão.
Foram entrevistadas pessoas por telefone e pessoalmente no Brasil, EUA Canadá, Espanha, Holanda, Alemanha, Reino Unido, França, Suécia, Grécia, Polônia, Itália, Hungria, Rússia, Coreia do Sul, Japão, Austrália, Filipinas, Indonésia, Tunísia, Israel, Quênia, África do Sul, Nigéria, México e Argentina.
Segundo o estudo, a confiança no poder público é diretamente proporcional ao apoio que o entrevistado dá ao governo local. Nos Estados Unidos, por exemplo, 61% eleitores do Partido Republicano - sigla do presidente Donald Trump - acreditam que o governo esteja pronto para enfrentar a questão, contra 47% entre quem apoia os democratas. O padrão se repetiu em todos os dez países em que houve a divisão entre governistas e opositores.


